Moçambique gastou 660,6 milhões de dólares (568,6 milhões de euros) na importação de combustíveis no primeiro semestre deste ano, com a fatura a disparar 79,4% do primeiro para o segundo trimestre, segundo dados estatísticos do Banco de Moçambique.
As importações somaram 236,4 milhões de dólares (203,5 milhões de euros) entre janeiro e março e 424,2 milhões de dólares (365,1 milhões de euros) entre abril e junho, um período marcado por filas intermináveis nos postos de abastecimento, encerramento temporário de algumas bombas e constrangimentos no acesso a divisas, como reportou o Notícias ao Minuto.
O que dizem os números oficiais
O gasóleo continua a dominar a fatura energética nacional. As compras externas deste produto atingiram 455,6 milhões de dólares (392 milhões de euros) no semestre, seguidas da gasolina, com 166,7 milhões de dólares (143,4 milhões de euros), e do combustível de aviação, com 38,4 milhões de dólares (33 milhões de euros).
Entre abril e junho, as importações quase duplicaram face ao trimestre anterior. O gasóleo passou de 164,9 milhões para 290,7 milhões de dólares, enquanto a gasolina subiu de 56,4 milhões para 110,3 milhões de dólares.
Os combustíveis representaram cerca de 55% do total de bens intermédios importados no período, avaliado em 1.198,7 milhões de dólares (1.031,5 milhões de euros). Este peso revela a dependência do país em relação aos mercados internacionais de energia e a exposição da economia nacional a choques externos.
Porque subiram os preços em maio
Em 07 de maio, o Governo aumentou os preços dos combustíveis: o litro de gasóleo subiu 45,5% e o da gasolina 12,1%. A justificação oficial apontou para os efeitos do conflito no Médio Oriente sobre os mercados internacionais de energia.
Essa explicação tem fundamento logístico. Em março, o executivo tinha já esclarecido que cerca de 80% dos combustíveis importados por Moçambique tinham origem no Médio Oriente e transitavam pelo estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo e derivados.
Em paralelo, o Banco de Moçambique admitiu que algumas empresas do setor enfrentam dificuldades no acesso a divisas para financiar as importações, o que agravou a quebra de abastecimento registada em abril e maio.
Como respondeu o Governo
Em 03 de agosto, o Conselho de Ministros aprovou um mecanismo de emergência para mobilizar até 50 milhões de dólares (43,1 milhões de euros) através da petrolífera estatal Petromoc, com o objetivo de garantir a importação de combustíveis e o abastecimento nacional em situações de crise.
O diploma permite recorrer a uma conta titulada pelo Ministério das Finanças e domiciliada no Banco de Moçambique para assegurar pagamentos a credores externos ligados à importação de combustíveis.
Prevê ainda que,
