O Ministério da Educação e Cultura e o sector privado moçambicano acordaram, ontem em Maputo, criar mecanismos conjuntos que aproximem a formação académica das necessidades reais das empresas, de modo a preparar graduados capazes de responder ao mercado de trabalho.
O encontro juntou o ministro Edson Macuácua e representantes da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), liderada por Álvaro Massingue. A iniciativa chega num momento em que há consenso de que muitos graduados saem das universidades sem as competências que as empresas procuram, segundo relata o jornal 302 Found.
Parceria prevê teoria e prática desde a sala de aula
Macuácua explicou que a colaboração entre as duas partes passa por conjugar teoria e prática. Os estudantes serão acompanhados nas salas de aula e nos locais de trabalho, desenvolvendo habilidades profissionais ainda durante a formação.
Para materializar o acordo, estão previstas duas equipas técnicas com representantes de ambas as instituições. A primeira vai colaborar na criação de metodologias que liguem o ensino superior ao sector produtivo, formando capital humano com habilidades para o emprego.
A segunda equipa aprofundará as questões da área cultural. O objetivo é que os artistas ganhem pelas suas obras, muitas vezes usadas em áreas como turismo e hotelaria sem compensação adequada, e que o produto artístico nacional passe a contribuir de forma mais visível para o PIB, com respeito pelos direitos de autor.
Empresas convidadas a investir no Ensino Primário
O ministro lançou também um desafio às empresas: que assumam, no âmbito da responsabilidade social, a mobilização e sensibilização com foco no Ensino Primário. Milhares de crianças moçambicanas estudam debaixo de árvores e sentadas no chão, e investimentos nesta área criariam condições para melhorar a qualidade do ensino desde a base.
Álvaro Massingue, presidente do CTA, reconheceu que existem condições para trabalhar nesta linha e que a interacção entre empresas e universidades evitaria colocar no mercado profissionais que não seriam absorvidos pelas empresas.
Reconheceu, contudo, que não será tarefa fácil. Muitas universidades têm currículos próprios, o que exige um esforço de harmonização para se formarem quadros capazes de transformar o país.
Qualificação contínua como tendência regional
A aposta moçambicana acompanha uma tendência mais ampla de ligação entre formação e empregabilidade. No Brasil, por exemplo, iniciativas públicas e privadas estruturam programas intensivos de capacitação técnica focados em inclusão e empregabilidade rápida, como reporta o Portal City News.
O movimento também atrai investidores. Segundo o Zaxo, um estudo aponta 883 milhões de dólares em investimentos no mercado de tecnologias educacionais, com fundos de private equity, empresas de tecnologia e plataformas de educação corporativa a usarem aquisições para acelerar a qualificação de profissionais.
Porque importa esta parceria para Moçambique
Para a juventude moçambicana, o desfasamento entre currículo e mercado traduz-se em desemprego e desperdício de talento. Um sistema que integra as empresas na definição de metodologias e na acompanhação prática dos estudantes pode encurtar o caminho entre a formatura e o primeiro emprego.
A harmonização curricular defendida por Massingue é igualmente um passo contra a formação de quadros sem saída profissional, um problema que onera famílias e o Estado.
O que falta definir
As duas equipas técnicas ainda não apresentaram um calendário de trabalho. Fica por definir como será feita a harmonização entre currículos universitários diferentes e de que forma as pequenas e médias empresas, e não apenas os grandes grupos, participarão no acompanhamento dos estudantes.
Perguntas frequentes
O que foi decidido no encontro entre o Ministério da Educação e a CTA?
Foi acordada a criação de duas equipas técnicas conjuntas para aproximar o ensino superior do sector produtivo e para tratar das questões culturais, incluindo os direitos de autor dos artistas.
Porque é que o Governo quer envolver as empresas na educação?
Porque as empresas conhecem as competências que o mercado procura e porque, segundo o ministro, investimentos em áreas como o Ensino Primário melhoram a qualidade do ensino.
Qual é o principal obstáculo à harmonização curricular?
Segundo Álvaro Massingue, presidente do CTA, muitas universidades têm currículos próprios, o que exige um esforço de harmonização para formar quadros adequados ao mercado.
