O Banco Comercial Português, dono do Millennium bcp, anunciou um lucro líquido de 308 milhões de euros no terceiro trimestre de 2026, um valor 3% acima das previsões do consenso de mercado, segundo a análise do banco de investimento Jefferies divulgada em 28 de outubro. O desempenho foi puxado sobretudo pela margem financeira em Portugal, e o banco aproveitou para elevar as metas estratégicas para 2028.
Para Moçambique, as contas trazem uma nota relevante: o BCP reconheceu uma provisão de 21 milhões de euros relacionada com o risco soberano moçambicano. Mesmo assim, o trimestre confirma a trajetória de crescimento de um dos grupos bancários com maior presença na África Austral.
Resultados acima do esperado em quase todas as frentes
De acordo com o relatório do Jefferies citado pelo Sapo - Portugal Online!, os resultados superaram as estimativas graças a receitas mais fortes, principalmente na margem financeira e nos resultados de mercados, e a custos inferiores aos antecipados. O resultado antes de impostos ficou 5% acima do previsto.
A margem financeira (NII) excedeu em 2% as previsões dos analistas, crescendo 6% face ao trimestre anterior e 11% em termos homólogos. A margem de juros melhorou sete pontos base no trimestre, com expansão tanto em Portugal como na Polónia.
“A margem financeira portuguesa foi a estrela do trimestre”, sublinha o Jefferies.
O banco de investimento destaca que esta margem cresceu 14% nos primeiros nove meses do ano. No acumulado do ano, o Millennium bcp lucrou 873,7 milhões de euros até setembro, mais 12,6% do que no período homólogo, segundo o comunicado de resultados citado pela Rankia.
Atividade comercial em expansão
A carteira de crédito aumentou 1,4% em cadeia e 7,8% em termos homólogos. O crescimento foi impulsionado pelo segmento de particulares em Portugal, que avançou 10,2%, e pela atividade empresarial na Polónia, onde o crédito às empresas subiu 23%.
Os depósitos de clientes recuaram ligeiramente face ao trimestre anterior, refletindo a sazonalidade habitual do terceiro trimestre, mas mantêm um crescimento de 6% em comparação homóloga.
Moçambique: provisão soberana de 21 milhões
No capítulo da qualidade dos ativos, o BCP registou imparidades totais de 161 milhões de euros, um valor ligeiramente acima do esperado. O montante inclui uma provisão adicional de 67 milhões de euros na Polónia, dos quais cerca de 35 milhões estão ligados ao risco dos créditos hipotecários em francos suíços, e uma provisão de 21 milhões de euros referente ao risco soberano em Moçambique.
Apesar destes encargos, o custo do risco fixou-se em 38 pontos base no trimestre, com Portugal a apresentar uma evolução melhor do que a indicada nas orientações do banco. A posição de capital permaneceu sólida: o rácio CET1 atingiu 15,2%, superando em 30 pontos base as expectativas dos analistas, beneficiando de operações de transferência significativa de risco (SRT).
Metas para 2028 elevadas
Em paralelo com a divulgação dos resultados, o BCP atualizou em alta as metas estratégicas para 2028. O banco passa a prever lucros acumulados entre 2025 e 2028 de 4,75 mil milhões a 5,25 mil milhões de euros, acima da meta anterior de 4 mil milhões a 4,5 mil milhões.
A instituição aponta agora para uma rentabilidade dos capitais próprios (RoE) superior a 17,5% em 2028, face ao objetivo anterior de mais de 13,5%, e para um rácio CET1 acima de 14,25%, face à meta anterior de 13,5%. O return sobre o capital tangível (RoTE) situou-se em 16,1% no terceiro trimestre.
Mercado mantém recomendação de compra
O Jefferies manteve a recomendação de compra para as ações do banco e um preço-alvo de 1,30 euros, o que representa um potencial de valorização de cerca de 19% face à cotação de 1,09 euros. As ações do BCP subiram 0,046% para 1,09 euros, mas o impacto das contas só deverá refletir-se na cotação desta quinta-feira.
O banco de investimento nota que as novas metas estão alinhadas com as suas próprias estimativas, que apontam para lucros acumulados de 5,17 mil milhões de euros entre 2025 e 2028 e um RoE de 19,1% no final do período. Para os investidores que acompanham o setor financeiro ibérico e africano, o sinal é claro: o Millennium bcp entrou numa fase de maior ambição.
Perguntas frequentes
Qual foi o lucro do BCP no terceiro trimestre de 2026?
O Banco Comercial Português apresentou um resultado líquido de 308 milhões de euros no terceiro trimestre de 2026, 3% acima do consenso de mercado, segundo o Jefferies.
Porque é que Moçambique aparece nas contas do BCP?
O banco reconheceu uma provisão de 21 milhões de euros relacionada com o risco soberano moçambicano, incluída nas imparidades totais de 161 milhões de euros do trimestre.
Quais são as novas metas do BCP para 2028?
O banco passou a prever lucros acumulados entre 2025 e 2028 de 4,75 a 5,25 mil milhões de euros, um RoE superior a 17,5% e um rácio CET1 acima de 14,25% em 2028.
