A vila turística de Vilankulo, na província de Inhambane, acolhe pela segunda vez consecutiva a Conferência Internacional de Turismo, um evento que chega em momento de forte aposta do país no setor. O certame pretende consolidar Moçambique como destino competitivo e de preferência no mercado turístico regional e internacional.
O governador de Inhambane, Francisco Pagula, é uma das vozes centrais do evento e falou ao jornal Notícias sobre os ganhos já alcançados e as expectativas para esta edição, segundo reportagem do Notícias.
Quais os ganhos da primeira conferência?
Um ano após a primeira edição, os resultados começam a aparecer. Pagula revelou que as regiões de Vilankulo, Pomene e Inhassoro, incluindo a parte insular, foram aprovadas e declaradas como zonas económicas especiais de desenvolvimento turístico, com incentivos fiscais e administrativos considerados atractivos para o investimento.
Esta decisão trouxe vários ganhos, a destacar a vinda de mais empresários interessados em investir na província, estando, neste momento, em curso diligências com vista à concretização das intenções de investimento.
Para o governador, o processo poderá contribuir para o aumento da capacidade da província de receber e atender mais turistas, captar mais receitas, criar postos de emprego e, consequentemente, promover o desenvolvimento económico e social.
Inhambane, uma pérola por lapidar
Com 700 quilómetros de costa, praias de águas cristalinas, flora e fauna marinha, e um interior de beleza paisagística invulgar, associados à gastronomia e hospitalidade do povo, Inhambane apresenta-se como um dos melhores destinos turísticos por explorar e investir.
A região dispõe ainda de grande potencial de biodiversidade focado nas áreas de conservação, a saber o Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto, o Parque Nacional de Zinave, a Reserva Nacional de Pomene e o Santuário Bravio de Quewene.
Estas áreas caracterizam-se pela abundância de diferentes espécies faunísticas, a exemplo de elefantes, búfalos, girafas, impalas, hipopótamos, macacos, crocodilos, répteis, dugongos, baleias, golfinhos, tubarões, raia manta, aves e recifes de corais, entre outros.
Porque é que Moçambique quer competir no turismo?
O turismo tornou-se uma aposta estratégica em vários países africanos. Em Angola, por exemplo, o setor é já encarado como uma possível alternativa ao petróleo, com o país a possuir 1.650 quilómetros de costa atlântica e paisagens que vão do deserto do Namibe à floresta tropical equatorial, embora faltasse até recentemente uma estratégia coerente para converter estes recursos numa indústria competitiva, como refere a Forbes África Lusófona.
Moçambique parece ter percebido a lição mais cedo. A criação de zonas económicas especiais dedicadas ao turismo, como as de Inhambane, insere-se numa lógica de reformas que combina incentivos fiscais, atração de investimento privado e valorização dos ativos naturais do país.
A nível global, a procura continua a crescer. Um novo estudo prevê que a Europa se mantenha como a grande potência das viagens na próxima década, com a procura doméstica e internacional a aumentar em todas as frentes, segundo a Euronews. Para destinos emergentes como Moçambique, captar uma fatia desse mercado exige posicionamento, estratégia e presença em eventos como a conferência de Vilankulo.
O que se espera da II Conferência?
Um dos grandes objectivos do certame, sublinhou Pagula, é a manutenção do país como destino turístico competitivo e de preferência. A conferência servirá também para apresentar o potencial da província a investidores nacionais e internacionais.
Para os jovens empreendedores e para o tecido empresarial moçicano, o evento representa uma oportunidade concreta. O turismo é um dos setores com maior capacidade de gerar emprego rapidamente, sobretudo em zonas costeiras onde o desemprego jovem continua a ser um desafio.
A experiência de outros países reforça a importância do compromisso político com o setor. No Brasil, o programa do governo reeleito de Lula prevê continuidade do apoio ao turismo regional, desenvolvimento de destinos e fortalecimento da promoção internacional, como noticiou a Hotelier News.
Perguntas frequentes
Onde decorre a II Conferência Internacional de Turismo?
A conferência realiza-se em Vilankulo, na província de Inhambane, pelo segundo ano consecutivo.
Que zonas de Inhambane foram declaradas zonas económicas especiais?
Vilankulo, Pomene e Inhassoro, incluindo a parte insular, foram declaradas zonas económicas especiais de desenvolvimento turístico, com incentivos fiscais e administrativos.
Quais são as principais áreas de conservação de Inhambane?
Incluem o Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto, o Parque Nacional de Zinave, a Reserva Nacional de Pomene e o Santuário Bravio de Quewene.
