O Presidente Daniel Chapo lançou este sábado a primeira pedra dos campos de golfe em Chigamane, no distrito de Vilankulo, província de Inhambane, num investimento que o Governo apresenta como a porta de entrada do país no mercado internacional do turismo de golfe.
A cerimónia foi realizada na localidade de Chigamane e marca o arranque concreto de um projeto enquadrado numa estratégia mais ampla de diversificação da economia turística moçambicana. Segundo o Notícias ao Minuto, a Presidência da República confirmou que as máquinas e os equipamentos necessários às obras já se encontram no local, o que permite avançar de imediato com a execução.
Uma aposta na diversificação da oferta turística
Em comunicado, a Presidência refere que o empreendimento procura reforçar a capacidade de atração de Vilankulo e consolidar a posição do distrito como destino de referência, tanto no mercado nacional como no internacional. O objetivo é claro: atrair turistas de várias regiões de Moçambique e de países vizinhos como África do Sul, Zimbabué, Tanzânia e Zâmbia.
“A iniciativa pretende atrair turistas de várias regiões de Moçambique e de países como África do Sul, Zimbabué, Tanzânia e Zâmbia, criando condições para dinamizar a economia local, estimular o desenvolvimento empresarial e ampliar a participação dos operadores nacionais na cadeia de valor do turismo”, lê-se no comunicado.
A escolha de Vilankulo não é casual. O distrito é já um dos cartões de visita turísticos de Moçambique, com o arquipélago de Bazaruto e uma rede hoteleira em crescimento. A chegada do golfe adiciona um segmento de elevado valor acrescentado a uma oferta até agora dominada pelo turismo balnear.
O que é a Zona Especial para o Turismo de Golfe?
O projeto de Chigamane enquadra-se numa decisão regulamentar tomada em outubro, quando o executivo aprovou o enquadramento da nova Zona Especial para o Turismo de Golfe (ZETG). A zona foi estabelecida pelo decreto n.º 56/2026 e abrange os distritos de Vilankulo, Inhassoro, Massinga, Jangamo, Zavala e Govuro, podendo ser alargada no futuro a outras áreas da província de Inhambane.
O diploma define uma ambição declarada: transformar Inhambane numa “plataforma de excelência internacional no domínio do turismo de golfe, hospitalidade de alto padrão, lazer sofisticado e investimento turístico especializado”, consolidando simultaneamente a província como “Capital e Polo Nacional do Turismo” de Moçambique.
Como escreveu o Oeconomico, Inhambane foi declarada Primeira Zona Especial de Turismo de Golfe do país e o Governo apresentou aos investidores cerca de 50 projetos turísticos, além da preparação de um corredor de 35 quilómetros entre Vilankulo e Inhassoro.
Incentivos para atrair investimento nacional e estrangeiro
Os projetos aprovados na zona especial passam a beneficiar de um regime próprio de incentivos. A lista inclui acesso a terras reservadas para investimento, benefícios fiscais, garantias não fiscais e prioridade no repatriamento de dividendos para investidores estrangeiros. Trata-se de um pacote pensado para competir com destinos consolidados da região, como a África do Sul, que já têm uma indústria de golfe madura.
O modelo prevê também a criação do Fundo de Desenvolvimento do Turismo de Golfe (FDTG), destinado a financiar infraestruturas, formação técnica, promoção internacional, torneios, programas comunitários para jovens e iniciativas de sustentabilidade ambiental e conteúdo local.
A gestão da zona ficou atribuída à estatal Agência Nacional para o Desenvolvimento Integrado do Turismo (Anditur), que será responsável por apoiar investidores, facilitar processos de licenciamento, emitir pareceres sobre projetos e procurar soluções de financiamento para os empreendimentos aprovados. A existência de um interlocutor único é um sinal positivo para quem investe: menos burocracia significa projetos mais rápidos e mais emprego.
Emprego e formação para jovens e mulheres
Para além da componente turística, o Governo espera que o investimento produza benefícios económicos e sociais diretos para as comunidades locais, através da criação de postos de trabalho, sobretudo para jovens e mulheres, e da promoção de programas de formação profissional e desenvolvimento de competências.
Entre as áreas de capacitação previstas destaca-se a formação em língua inglesa, considerada pelo Executivo uma ferramenta importante para melhorar a qualidade do atendimento aos visitantes internacionais. É uma escolha pragmática: num segmento onde os turistas vêm sobretudo da África Austral anglófona, falar inglês é bilhete de emprego.
Em julho, o governador de Inhambane, Francisco Pagula, disse à Lusa que a província previa iniciar ainda este ano a construção do primeiro campo de golfe, num investimento privado estimado em cinco milhões de dólares, cerca de 4,3 milhões de euros, estando igualmente em negociação um segundo projeto.
Golfe no contexto de uma estratégia turística mais ampla
O turismo de golfe não chega sozinho. Faz parte de um pacote mais vasto de medidas para impulsionar o setor, que inclui, segundo a Publituris, o lançamento de um programa de Vistos Gold preparado pelo Governo para atrair investidores e visitantes de alto poder aquisitivo. O MZNews noticiou ainda que o Chefe do Estado quer que o turismo gere mais investimentos, emprego e riqueza para os moçambicanos, com destaque para zonas como Pomene e Inhassoro.
Para uma economia jovem como a moçambicana, onde o desemprego dos mais novos continua a ser um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento, apostas como esta podem fazer a diferença. O golfe move cadeias de valor longas: construção, hotelaria, restauração, transporte, manutenção de campos, formação e serviços. Se a execução acompanhar a ambição regulamentar, Inhambane pode vir a afirmar-se como referência regional da modalidade, com os primeiros resultados a começar por Chigamane.
Perguntas frequentes
Onde ficam os novos campos de golfe em Moçambique?
Os novos campos de golfe serão construídos em Chigamane, localidade do distrito de Vilankulo, na província de Inhambane. A primeira pedra foi lançada pelo Presidente Daniel Chapo.
Quanto vai custar o primeiro campo de golfe de Inhambane?
Segundo o governador Francisco Pagula, citado pela Lusa em julho, o investimento privado estimado no primeiro campo de golfe é de cinco milhões de dólares, cerca de 4,3 milhões de euros.
Quais distritos integram a Zona Especial para o Turismo de Golfe?
A Zona Especial para o Turismo de Golfe, criada pelo decreto n.º 56/2026, abrange Vilankulo, Inhassoro, Massinga, Jangamo, Zavala e Govuro, podendo ser alargada a outras zonas da província.
Que incentivos têm os investidores da Zona Especial de Turismo de Golfe?
Os projetos aprovados beneficiam de acesso a terras reservadas, benefícios fiscais, garantias não fiscais e prioridade no repatriamento de dividendos para investidores estrangeiros, geridos pela Anditur.
