O presidente da Assembleia da República de Portugal, José Pedro Aguiar-Branco, iniciou este sábado, 7 de novembro de 2026, uma visita oficial a Moçambique que se prolonga até 11 de novembro e que inclui a assinatura de um protocolo de cooperação entre os parlamentos dos dois países.
A visita, que decorre entre Maputo e a cidade da Beira, acontece a convite da presidente da Assembleia da República moçambicana, Margarida Talapa, segundo informação do Notícias ao Minuto, que cita um comunicado da Embaixada de Portugal em Maputo. A agenda prevê ainda um encontro com o chefe de Estado moçambicano, Daniel Chapo, e contactos com a comunidade portuguesa residente no país.
Que acordos vão ser assinados durante a visita?
O momento alto da agenda política está marcado para segunda-feira, quando Aguiar-Branco se reúne com a homóloga moçambicana em Maputo. Durante o encontro, os dois responsáveis assinarão um protocolo de cooperação entre os parlamentos de Portugal e de Moçambique.
Após a assinatura, o presidente do parlamento português fará uma intervenção na sessão plenária da Assembleia da República de Moçambique. É um sinal claro de que a cooperação institucional entre os dois países de língua oficial portuguesa continua a aprofundar-se, com os parlamentos a assumirem um papel central no diálogo bilateral.
O Renascença e o Observador avançam que Aguiar-Branco já afirmou que os parlamentos são o local certo para encontrar soluções e consensos, mensagem que transporta para esta deslocação a Maputo.
Conferência na Universidade Eduardo Mondlane sobre 30 anos da CPLP
No mesmo dia, Aguiar-Branco será o orador principal de uma conferência na Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, subordinada ao tema O Papel dos Parlamentos no Espaço da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa: 30 anos de Cooperação e Diálogo.
A conferência chega num momento em que a CPLP celebra três décadas de existência e procura reinventar-se como plataforma de cooperação económica, política e cultural entre os nove Estados membros. Para Moçambique, o evento reforça os laços com uma das principais universidades do país e dá visibilidade ao debate sobre a importância do espaço lusófono na economia e na formação de jovens quadros.
Cultura e solidariedade: magusto e exposição Artistas Solidários
A agenda cultural começou já este sábado à tarde, em Maputo. Aguiar-Branco participa no magusto Quem Magusta Amigo É, promovido pela Associação Portuguesa na Escola Portuguesa de Moçambique, e marca presença na inauguração da exposição Artistas Solidários, no Camões, Centro Cultural Português.
As receitas da venda das mais de uma centena de obras expostas serão destinadas à expansão da Escola Comunitária KaTembe, apoiada pela Cooperação Portuguesa. Trata-se de um exemplo concreto de como a cooperação entre os dois países chega ao terreno e beneficia comunidades locais, em linha com a aposta na educação como motor de desenvolvimento.
Beira e porto: a dimensão económica da visita
Na terça-feira, o presidente da Assembleia da República viaja para a cidade da Beira, na província de Sofala, no centro do país. Ali, terá encontros com autoridades locais e com a comunidade portuguesa, além de visitar o polo local da Escola Portuguesa de Moçambique e o porto da cidade.
A paragem no porto da Beira não é um detalhe menor. O terminal é um dos principais gateways logísticos da região central de Moçambique e um eixo relevante para o comércio com os países sem costa marítima do hinterland africano. A presença de Aguiar-Branco junto das autoridades locais pode abrir espaço para novos projetos de cooperação económica entre empresas portuguesas e moçambicanas.
Delegação com forte ligação à amizade luso-moçambicana
A delegação portuguesa integra também os deputados Daniel Teixeira, João Antunes dos Santos e Luís Moreira Testa, respetivamente presidente e vice-presidentes do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-Moçambique.
A composição do grupo mostra que Lisboa quis trazer para esta visita os deputados que conhecem melhor a relação bilateral, o que facilita a concretização prática do protocolo que será assinado segunda-feira. O acordo parlamentar pode dar origem a intercâmbios de experiências legislativas, formação de quadros e mecanismos de acompanhamento conjunto da cooperação.
Para Moçambique, a chegada de uma delegação parlamentar destas dimensões, na semana em que o país continua a procurar consolidar reformas e atrair investimento, é uma oportunidade para reafirmar a estabilidade das suas instituições democráticas perante parceiros internacionais.
O que significa esta visita para as relações Portugal-Moçambique?
A visita combina três dimensões que raramente se juntam numa única agenda: a cooperação institucional, com o protocolo entre parlamentos; a cooperação cultural e social, com a exposição solidária a favor da Escola Comunitária KaTembe; e a cooperação económica, com a passagem pelo porto da Beira.
Segundo o comunicado da Embaixada de Portugal citado pelo Correio da Manhã, a deslocação decorre até 11 de novembro e cobre as duas principais cidades do país, o que traduz a intenção de Portugal em estar presente tanto no centro político como no coração económico de Moçambique.
Perguntas frequentes
Quando decorre a visita de Aguiar-Branco a Moçambique?
A visita oficial iniciou-se sábado, 7 de novembro de 2026, e prolonga-se até 11 de novembro, com paragens em Maputo e na cidade da Beira.
Que acordo será assinado em Moçambique?
Um protocolo de cooperação entre os parlamentos de Portugal e de Moçambique, assinado segunda-feira em Maputo por José Pedro Aguiar-Branco e pela presidente da Assembleia da República moçambicana, Margarida Talapa.
Quem convidou Aguiar-Branco para esta visita?
O convite partiu da presidente da Assembleia da República moçambicana, Margarida Talapa, conforme comunicado da Embaixada de Portugal em Maputo.
Para que serve a exposição Artistas Solidários?
As receitas da venda das mais de uma centena de obras expostas no Camões, Centro Cultural Português, em Maputo, serão destinadas à expansão da Escola Comunitária KaTembe, apoiada pela Cooperação Portuguesa.
