Europa deve acelerar autonomia estratégica perante nova era Trump
A Europa precisa urgentemente de reduzir a sua dependência crítica dos Estados Unidos em áreas como defesa aérea e capacidades militares, alertam especialistas da prestigiada Conferência de Segurança de Munique (MSC). Esta recomendação surge numa altura em que o segundo mandato de Donald Trump está a remodelar profundamente a ordem internacional estabelecida desde 1945.
O fim da garantia de segurança americana
"A era em que a Europa podia confiar nos Estados Unidos como um garante de segurança inquestionável terminou", afirmam os peritos no relatório "Sob Destruição", que serve de base às discussões da conferência anual em Munique. Esta mudança representa uma oportunidade histórica para a Europa desenvolver maior autonomia estratégica e inovação em defesa.
O documento identifica Trump como o principal responsável pela "demolição" da ordem internacional pós-Segunda Guerra Mundial, utilizando metáforas como "golpes de marreta" e "motosserra" para descrever as suas políticas disruptivas.
Oportunidades de inovação e investimento
Esta transformação geopolítica abre caminho para investimentos significativos em tecnologias de defesa europeias. As áreas prioritárias incluem:
- Defesa aérea avançada - sistemas antimíssil e anti-drone
- Transporte estratégico - capacidades logísticas independentes
- Cibersegurança - proteção de infraestruturas críticas
- Inteligência militar - sistemas de informação autónomos
Impacto económico global
A administração Trump está também a revolucionar o comércio internacional, impondo tarifas sobre praticamente todos os parceiros comerciais, incluindo aliados próximos. Esta estratégia visa renegociar acordos bilaterais sob termos mais favoráveis aos Estados Unidos.
"A utilização da coerção económica através de ameaças de acesso ao mercado tornou-se o principal instrumento da política externa económica americana", observam os especialistas.
Preparação para o futuro
Os peritos recomendam que os governos europeus reforcem não apenas os gastos militares, mas também a preparação civil e medidas coordenadas para combater campanhas híbridas, particularmente da Rússia.
No Indo-Pacífico, onde "a China é já o centro de gravidade económico da região", países como Japão, Coreia do Sul e Taiwan estão a intensificar os seus próprios esforços de defesa, criando oportunidades para parcerias tecnológicas inovadoras.
Uma nova ordem em construção
Embora os especialistas reconheçam a incerteza sobre se esta "demolição" resultará em maior segurança e prosperidade global, é evidente que está a emergir uma nova ordem baseada em interesses regionais e parcerias bilaterais, em detrimento das instituições multilaterais tradicionais.
Esta transformação, apesar dos desafios, pode catalisar a inovação europeia e fortalecer a autonomia estratégica do continente, preparando-o melhor para os desafios do século XXI.