Atletas exigem fim de patrocínios poluentes nos Jogos Olímpicos de Inverno 2026
Os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 enfrentam pressão crescente para romper com patrocinadores altamente poluentes, numa altura em que cientistas e atletas se unem para denunciar o impacto ambiental destes acordos comerciais.
Um novo relatório revela que três grandes patrocinadores dos Jogos de Milão-Cortina 2026 poderão gerar mais 1,3 milhões de toneladas de emissões de carbono, aumentando a pegada total do evento em quase duas vezes e meia.
Impacto devastador nas montanhas italianas
As provas decorrerão nas montanhas do norte de Itália, principalmente nas Dolomitas, uma região cada vez mais vulnerável às alterações climáticas. O comité organizador planeia produzir 2,4 milhões de metros cúbicos de neve artificial, consumindo 948 mil metros cúbicos de água numa época de temperaturas crescentes.
Os dados são alarmantes: nos últimos cinco anos, Itália perdeu 265 estâncias de esqui devido ao aquecimento global. Uma análise científica de 2023 confirma que as regiões montanhosas, incluindo os Alpes, estão a ser atingidas "mais intensamente" que as zonas de planície.
Patrocinadores sob fogo cruzado
O relatório "Olympics Torched", publicado pela Scientists for Global Responsibility e pelo New Weather Institute, identifica três empresas como principais responsáveis pelo aumento das emissões:
Eni (petrolífera italiana), Stellantis (construtor automóvel) e ITA Airways (companhia aérea nacional). A Eni sozinha é responsável por mais de metade das emissões adicionais.
"O impacto total dos Jogos e destes patrocínios provocará a perda de cerca de 5,5 quilómetros quadrados de cobertura de neve, equivalente a mais de 3 mil pistas de hóquei no gelo de tamanho olímpico", alerta Stuart Parkinson, diretor da Scientists for Global Responsibility.
Atletas lideram mudança
O esquiador sueco Björn Sandström defende que "a maior influência dos Jogos é o sinal que enviam ao mundo. Quando esse sinal é moldado por patrocínios de combustíveis fósseis, contradiz diretamente a ciência climática".
A biatleta groenlandesa Ukalew Slettermark, ex-campeã mundial júnior, considera "injustificável" que os desportos de inverno ofereçam às petrolíferas uma plataforma para parecerem "contribuir positivamente para a sociedade".
Soluções para o futuro
Os investigadores propõem medidas concretas para reduzir o impacto ambiental: terminar acordos com empresas de alta intensidade carbónica, evitar construção de novos recintos e reduzir significativamente o número de espectadores que viajam de avião.
Esta pressão representa uma oportunidade para os Jogos Olímpicos liderarem a transição para um modelo mais sustentável, alinhando-se com as necessidades urgentes de combate às alterações climáticas e preservação dos desportos de inverno para as futuras gerações.