Limite único de 100 km/h na Europa? Proposta quer cortar emissões e dependência energética
Um analista político austríaco propõe que a Europa adote um limite de velocidade único de 100 km/h para todos os veículos a combustão, incluindo camiões. A ideia promete resolver três problemas ao mesmo tempo: reduzir a dependência energética, diminuir as emissões e melhorar a segurança rodoviária. Mas a proposta, que exclui os carros elétricos, já gerou polémica nas redes sociais.
Porque é que um limite de velocidade europeu faz sentido?
Günther Fehlinger-Jahn, presidente do Comité Austríaco para o Alargamento da NATO, publicou um artigo de opinião no seu Substack onde defende que a Europa enfrenta três grandes desafios em simultâneo:
- Dependência energética face ao exterior;
- Responsabilidade climática;
- Segurança rodoviária.
Segundo o austríaco, limitar a velocidade máxima nas estradas europeias a 100 km/h pode resolver estes três problemas sem grande complexidade burocrática. A sugestão abrange apenas os veículos a combustão.
A ideia central assenta num princípio de física: o arrasto aerodinâmico aumenta de forma exponencial com a velocidade, disparando o consumo de combustível acima dos 120 km/h. Fehlinger-Jahn estima que um limite de 100 km/h poderia reduzir o consumo de gasolina entre 20 a 30% em autoestrada, o que se traduziria em milhares de milhões de euros poupados e numa menor exposição da Europa a choques energéticos.
Menos petróleo importado e menos dinheiro para regimes autoritários
Um dos argumentos mais fortes do analista prende-se com a origem do combustível consumido nas estradas europeias. Como a gasolina é maioritariamente importada, cada litro gasto acima do necessário representa dinheiro a sair da Europa e a entrar em regiões instáveis ou em regimes que ele classifica como hostis aos valores europeus.
Reduzir o consumo através de um limite de velocidade seria, segundo Fehlinger-Jahn, uma forma direta de reforçar a autonomia estratégica europeia, sem depender de subsídios, taxas ou regulação complexa.
Segurança rodoviária e menos poluição com um limite único
Além da questão energética, o texto sublinha que a velocidade continua a ser o fator mais determinante nos acidentes fatais na estrada. Uma velocidade mais elevada implica maior energia cinética envolvida em qualquer colisão, o que aumenta a gravidade dos acidentes.
Fehlinger-Jahn defende que um limite uniforme de 100 km/h reduziria significativamente o número de mortes nas autoestradas europeias, citando países que já baixaram os seus limites e viram melhorias na sinistralidade.
A proposta traria ainda benefícios ambientais menos óbvios além do CO2, nomeadamente:
- Menos ruído;
- Menos poluição do ar;
- Menos partículas resultantes do desgaste de pneus e travões.
Os carros elétricos ficam de fora
Curiosamente, o limite de velocidade único de 100 km/h não se aplicaria a veículos elétricos. Segundo o autor, os elétricos não devem ser penalizados pelas ineficiências da tecnologia a combustão. A medida seria dirigida especificamente a carros e camiões a gasolina.
Na prática, isto criaria um incentivo indireto à eletrificação da frota automóvel europeia, sem proibir a venda ou circulação de veículos a combustão.
De acordo com Fehlinger-Jahn, a Autobahn alemã sem limites de velocidade, um símbolo quase cultural na Alemanha, é hoje “uma relíquia ultrapassada da era dos combustíveis fósseis”, incompatível com os objetivos energéticos e climáticos da Europa do século XXI.
Uma ideia com precedentes
Apesar de soar radical, a proposta não é inédita. Em 2022, a Comissão Europeia e a Agência Internacional de Energia já tinham recomendado limites de velocidade mais baixos nas autoestradas como medida de poupança energética, no contexto da crise gerada pela guerra na Ucrânia.
Na altura, a recomendação surgiu na sequência de um apelo de organizações de segurança rodoviária para um limite de 100 km/h em carros e veículos comerciais ligeiros, e 80 km/h em camiões. A diferença é que essa recomendação era genérica, sem distinguir entre motores a gasolina, diesel ou elétricos.
Nas redes sociais, Fehlinger-Jahn tem promovido ativamente a ideia, apelando diretamente à União Europeia para introduzir um limite obrigatório de 100 km/h em todas as autoestradas e vias principais do continente. A proposta já gerou reações críticas online, com utilizadores a considerá-la excessiva ou pouco realista.
Perguntas frequentes sobre o limite de velocidade de 100 km/h na Europa
O limite de 100 km/h aplica-se a todos os veículos?
Não. A proposta de Günther Fehlinger-Jahn aplica-se apenas a veículos a combustão, incluindo carros e camiões a gasolina. Os veículos elétricos ficariam de fora da medida.
Quanto poderia a Europa poupar com esta medida?
Segundo o analista austríaco, um limite de 100 km/h poderia reduzir o consumo de gasolina entre 20 a 30% em autoestrada, o que se traduziria em milhares de milhões de euros poupados anualmente.
Esta proposta já foi tentada antes?
Em 2022, a Comissão Europeia e a Agência Internacional de Energia recomendaram limites de velocidade mais baixos como medida de poupança energética, mas sem distinguir entre tipos de motor. A proposta atual é mais específica ao excluir os elétricos.