Aos 42 anos e com 271 kg, Diego luta por cirurgia e por uma nova chance de viver
Diego Vitor de Sousa, de 42 anos, morador de Várzea Paulista, no interior de São Paulo, enfrenta uma batalha pela própria vida. Após chegar a pesar 280 kg, ele recebeu dos médicos uma estimativa dura: poderia não chegar aos 45 anos. Hoje, com 271 kg, Diego busca realizar uma cirurgia bariátrica, mas esbarra nos custos hospitalares que a família não consegue cobrir.
A história de Diego é um retrato de como a obesidade grave vai muito além da balança. As pernas já não respondem como antes, ele enfrenta úlceras, dores e precisa de oxigênio para respirar. Até tarefas simples do cotidiano se tornaram difíceis. “Eu me sinto preso porque não consigo mais sair de casa”, desabafa.
O alerta que mudou tudo
Há cerca de dois anos, Diego começou a investigar sua condição de saúde. Foi quando recebeu a notícia que mudou sua perspectiva sobre o futuro. Segundo a família, um médico afirmou que ele poderia não chegar aos 45 anos.
“Eu olhava no espelho, mas não me via obeso, porque até então eu fazia de tudo. Porém, quando minhas pernas pararam, eu fui ao médico e ele disse: ‘até os 45 você não chega’”, conta Diego.
A partir daquele momento, a relação com o próprio corpo mudou. A obesidade trouxe complicações como úlceras nas duas pernas, problemas de circulação e a necessidade de suporte de oxigênio após uma infecção por H1N1.
Cirurgia adiada por falta de recursos
Diego conseguiu iniciar um acompanhamento multidisciplinar com profissionais voluntários, incluindo cardiologista, endocrinologista, nutricionista e psicóloga. Uma das primeiras etapas previstas é a colocação de um balão intragástrico, que pode auxiliar na perda inicial de peso antes da cirurgia bariátrica.
A família chegou a ter uma cirurgia programada para maio, mas precisou cancelá-la poucos dias antes. Segundo a esposa, Aline de Sousa, o hospital cobraria R$ 20 mil pela internação, valor que não estava disponível naquele momento.
“Faltando três dias para a cirurgia fomos informados que o hospital cobraria um valor de R$ 20 mil. Nós não tínhamos esse dinheiro na hora e tivemos que cancelar”, relata Aline.
Desde então, o estado de saúde de Diego piorou. A rotina do casal mudou completamente. Aline é a única pessoa da família trabalhando e precisa conciliar a renda com os cuidados do marido. O colchão utilizado por Diego já não suporta seu peso, provocando dores na coluna e noites de sono difíceis.
Obesidade: doença que ainda enfrenta preconceito
Para Diego, uma das partes mais difíceis é lidar com a forma como a obesidade ainda é percebida socialmente. Ele afirma que o problema não pode ser resumido à falta de disciplina ou à decisão de comer menos.
“A obesidade é uma doença, mas tratam como frescura”, diz.
Ele explica que o tratamento também envolve acompanhamento psicológico para compreender os fatores que contribuíram para o ganho de peso. “Se emagrecer fosse só parar de comer, não existiria gente gorda”, afirma, reproduzindo uma reflexão feita por um de seus médicos.
O que a cirurgia representa para Diego
A cirurgia bariátrica é um procedimento de grande porte que exige avaliação médica e acompanhamento antes e depois da operação. A endocrinologista Fabiana Scomparin explica que pacientes com obesidade grave podem apresentar diferentes complicações e precisam ser avaliados de maneira individualizada.
O acompanhamento não termina depois do procedimento. Segundo a médica, a obesidade é uma doença crônica e o paciente precisa manter cuidados contínuos após a cirurgia, inclusive para evitar deficiências nutricionais e possível reganho de peso.
“Eu quero que ele tenha vida”
Casados desde abril de 2025, Diego e Aline enfrentam juntos o momento mais delicado da relação. Para ela, o objetivo vai muito além da balança.
“Eu quero que ele tenha vida, não que fique trancado em casa”, afirma.
Aline lembra que os dois costumavam cantar na igreja e que Diego toca violão. São atividades simples que hoje fazem parte das lembranças de uma rotina que eles querem recuperar. “É isso que queremos. Não vamos parar e estamos juntos nessa”, completa.
Uma campanha por tratamento e uma nova chance
O casal criou uma Vakinha para arrecadar recursos para a internação, medicamentos, um colchão adequado ao peso de Diego e outras despesas relacionadas à recuperação. A família afirma que não busca apenas viabilizar uma cirurgia, mas criar condições para que Diego possa dar continuidade ao tratamento e recuperar parte da autonomia perdida.
“A gente precisa conseguir o valor da internação, um colchão que suporte o peso dele e também custear os remédios e demais tratamentos”, explica Aline.
A campanha também se tornou uma forma de tornar pública uma luta que, até então, acontecia principalmente dentro de casa. Para Diego, o objetivo é simples de dizer, embora difícil de alcançar: voltar a ter uma vida que hoje parece distante. Sair de casa. Trabalhar. Cantar. Tocar violão. Estar ao lado da esposa. E, principalmente, ter tempo para continuar vivendo.