Crise de água em Almada: Setor hoteleiro ainda sem dados sobre prejuízos
A Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) revelou que ainda não dispõe de dados consolidados para quantificar os prejuízos causados no turismo em Almada devido aos cortes de abastecimento de água no concelho. A situação, que afeta especialmente a Costa da Caparica, levou a autarquia a decretar estado de alerta e a implementar medidas de racionamento noturno.
Impacto nos hotéis: o que está em risco?
Em resposta escrita à Lusa, a AHP sublinhou que as interrupções no fornecimento de água representam um risco operacional sério para qualquer unidade hoteleira. As implicações vão desde a limpeza e lavandaria até ao conforto dos hóspedes. Contrariamente ao que se pensa, as piscinas não são o ponto mais crítico, pois funcionam em circuito fechado. O maior risco está nas casas de banho, lavandaria e cozinhas.
A associação está a acompanhar a evolução da situação e vai contactar os associados em Almada para perceber a real dimensão do problema no terreno.
Lições do Algarve: uma crise diferente
A AHP fez questão de distinguir a situação atual em Almada da seca prolongada no Algarve. Enquanto a crise algarvia é estrutural e gerida há anos com restrições de até 15% no consumo turístico, o problema em Almada resulta de constrangimentos na rede de distribuição municipal, associados a défice de investimento, aumento súbito de consumo e perda de água no sistema.
Este padrão, segundo a associação, reflete um problema nacional mais amplo que precisa de ser enfrentado com investimento e modernização das infraestruturas.
Medidas em curso e perspetivas de resolução
A presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros (PS), decretou situação de alerta na quarta-feira, implementando cortes totais de abastecimento em zonas específicas entre as 22:00 e as 06:00, em dias alternados. A autarquia garante o abastecimento a equipamentos essenciais como hospitais, centros de saúde e lares, disponibilizando camiões-cisterna onde necessário.
A ministra do Ambiente assegurou que um novo furo de captação vai entrar em funcionamento até ao fim de semana, aumentando a capacidade do sistema em cerca de 20%. A expectativa é que os constrangimentos estejam resolvidos dentro de duas a três semanas.
Recomendações para o setor hoteleiro
A AHP recomenda aos seus associados a ativação de planos de contingência próprios, incluindo reservas autónomas de água, contacto direto com as entidades gestoras locais e comunicação transparente com os hóspedes. A associação defende soluções articuladas entre os diferentes setores afetados, evitando medidas unilaterais.
Esta crise em Almada serve de alerta para a necessidade de investimento contínuo em infraestruturas hídricas, especialmente num contexto de aumento de consumo e de pressão sobre os sistemas de abastecimento.