Carspreading: Carros maiores e o futuro das cidades
Um novo estudo da organização Transport & Environment (T&E) revela que o aumento contínuo do tamanho dos automóveis na Europa, um fenómeno chamado carspreading, pode causar 400 mortes adicionais por ano até 2040. Para além do impacto humano, veículos maiores consomem mais energia e reduzem os espaços de estacionamento nas cidades, exigindo novas políticas urbanas e inovação tecnológica para garantir a segurança e a eficiência.
O que é o carspreading e porque está a crescer?
Desde o ano 2000, os carros novos vendidos na Europa têm crescido anualmente 1,2 cm em comprimento, 0,5 cm em altura e 0,5 cm em largura. Lucien Mathieu, analista da T&E, sublinha que esta linha de crescimento é absolutamente clara e não dá sinais de abrandar, mesmo num período em que as famílias europeias têm menos elementos. Esta realidade europeia espelha um desafio global para centros urbanos em expansão, como Maputo, onde a mobilidade exige soluções inteligentes e adaptadas ao futuro.
Qual é o impacto do carspreading na segurança rodoviária?
O estudo modelou dois cenários para 2040. Se a tendência se mantiver, o número de mortes de utilizadores vulneráveis da via, como peões e ciclistas, pode aumentar em 400 por ano, dos quais 79 seriam crianças. Dados prévios fundamentam esta projeção. Na Bélgica, um aumento de 10 cm na altura do capô eleva em 27% o risco de mortalidade para estes utilizadores. Nos Estados Unidos, esse mesmo aumento de altura está associado a um crescimento de 81% no risco de morte de crianças, provavelmente devido à menor visibilidade que os condutores têm sobre peões mais baixos.
Como afeta o consumo de energia e o espaço urbano?
Carros maiores exigem mais recursos, independentemente de serem movidos a combustíveis fósseis ou eletricidade. A T&E estima que esta tendência resultará em mais 100 milhões de barris de petróleo importados e num consumo adicional de 22,5 terawatt-hora de eletricidade. Brian Caulfield, investigador do Trinity College Dublin, explica que esta procura energética extra equivale à produção de 1500 turbinas eólicas offshore, o que coloca uma pressão enorme sobre redes já sobrecarregadas.
No que toca ao espaço urbano, cidades europeias podem perder entre 8,5% e 14% dos lugares de estacionamento na rua até 2040. Cidades como Londres e Berlim arriscam-se a perder cerca de 100 mil lugares cada uma. Muitos estacionamentos não são redesenhados para carros maiores, o que leva a que ocupem dois lugares ou invadam o espaço de outros utentes, um problema comum nas metrópoles modernas.
Que soluções inovadoras podem travar o carspreading?
Para inverter esta tendência, os autores do estudo propõem medidas reguladoras e baseadas no mercado. As sugestões incluem limitar a altura dos capôs e a largura dos veículos, ajustar a fiscalidade para desincentivar a compra de carros maiores e tornar as normas de visibilidade a partir do banco do condutor mais exigentes, especialmente para proteger as crianças.
Hannah Budnitz, investigadora da Unidade de Estudos de Transportes da Universidade de Oxford, alerta que as projeções podem estar subestimadas. A especialista nota que o estudo não contabiliza o peso dos veículos, um fator que aumenta o consumo de recursos e o desgaste das estradas. Cidades focadas no futuro devem adotar políticas que priorizem a segurança, a sustentabilidade e a inovação.
O que é o carspreading?
Carspreading é o termo usado por ambientalistas para descrever o aumento contínuo do tamanho dos automóveis novos, que crescem em comprimento, largura e altura a cada ano.
Porque é que carros maiores são mais perigosos para peões?
Carros maiores, especialmente com capôs mais altos, reduzem a visibilidade do condutor sobre peões de baixa estatura, como crianças. Estudos mostram que um aumento de 10 cm na altura do capô eleva significativamente o risco de morte em caso de atropelamento.
Como é que os carros grandes afetam o estacionamento nas cidades?
Como os carros ultrapassam as dimensões dos lugares de estacionamento tradicionais, acabam por ocupar dois espaços ou invadir passeios, reduzindo a capacidade de estacionamento das cidades em até 14%.