Lula ataca clã Bolsonaro e Ibaneis em ato no DF e promete blindar eleições
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu ao palanque em Ceilândia, na noite desta quarta-feira, com discurso duro contra adversários políticos. Em evento que reuniu cerca de 15 mil pessoas, segundo o Planalto, o chefe do Executivo criticou o senador Flávio Bolsonaro, o ex-governador Ibaneis Rocha, e reafirmou que não vai liberar recursos federais para o Banco de Brasília (BRB).
O que Lula disse sobre o clã Bolsonaro?
Lula afirmou que Flávio Bolsonaro, candidato ao Planalto, enviou o irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, aos Estados Unidos para 'tramar contra o Brasil'. O presidente ironizou a postura do grupo e criticou supostas articulações com o ex-presidente americano Donald Trump.
'Está lá, o Eduardo Bolsonaro, o traidor da pátria, falando mal do Brasil, pedindo para que Trump venha fazer intervenção nesse país', disparou Lula. 'Este país não comporta política vira-lata.'
O presidente também anunciou que viaja no domingo para a Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, onde pretende conversar diretamente com Trump.
'Vou dizer para o Trump que não se meta nas eleições no Brasil. O Brasil só tem um dono, e o dono do Brasil se chama povo brasileiro', frisou.
Por que Lula criticou Ibaneis e o BRB?
O presidente atribuiu ao ex-governador do Distrito Federal a responsabilidade pelo rombo no BRB, ligado ao esquema do Banco Master. Segundo Lula, a gestão de Ibaneis teria permitido a compra de títulos inexistentes no valor de R$ 12 bilhões, em parceria com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Lula também acusou a governadora Celina Leão de tentar transferir ao governo federal a culpa pelos prejuízos do banco distrital.
'A governadora, de forma cínica e mentirosa, tenta jogar a responsabilidade no governo federal, mas quem quebrou o BRB foi a ligação entre o Ibaneis e o Vorcaro', destacou.
O presidente garantiu que programas sociais não serão afetados, mas foi categórico: 'Não vamos dar dinheiro para o BRB'. Ele ainda provocou Ibaneis, dizendo que o ex-governador 'está escondido gastando dinheiro roubado'.
Como Celina Leão respondeu?
Em publicação nas redes sociais, a governadora rebateu as declarações de Lula.
'Lamento a declaração de um presidente da República que quer quebrar o BRB. Eu pensei que ele fosse presidente do Brasil. Pensei também que os brasilienses fossem brasileiros', escreveu Celina.
Ela ainda lembrou que o governo federal ajudou os Correios, mas se recusa a dar aval para empréstimo ao GDF.
O que Lula falou sobre Alexandre de Moraes?
Em entrevista ao podcast 'Desce a Letra Show', Lula defendeu que eventuais irregularidades envolvendo o ministro Alexandre de Moraes sejam investigadas, mas com direito a ampla defesa. Ele lembrou que não indicou Moraes ao STF, ao contrário do que sugere Flávio Bolsonaro.
'Todo mundo que cometeu erro em qualquer área tem que ser julgado. O que defendo é um julgamento justo, com o direito de defesa', ressaltou.
Lula também elogiou a atuação de Moraes nos processos sobre os atos golpistas de 8 de janeiro, classificando o trabalho como 'extraordinário para garantir a democracia'. Para o presidente, essa é a verdadeira motivação dos ataques de Flávio e seu grupo ao ministro.
'A obsessão deles é pegar o Alexandre de Moraes. Mas a raiva dele do Alexandre é porque o Moraes mandou prender o cara que mandou matar a Marielle, mandou prender o pai dele e os golpistas do 8 de Janeiro', enfatizou.
Flávio Bolsonaro é investigado pela Polícia Federal desde julho por suspeita de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no caso Dark Horse, filme sobre o ex-presidente financiado pelo dono do Banco Master.
O que esperar do cenário político no DF?
Com o ato em Ceilândia, Lula reforçou o apoio à candidatura de Leandro Grass ao governo do Distrito Federal. O presidente pediu votos para o jovem candidato e prometeu empenho pessoal na campanha.
'Deem uma chance a Brasília. Brasília é uma cidade bonita, uma cidade nova, precisa ser bem administrada. Vamos dar uma chance para esse jovem', completou.
O evento contou com a presença da senadora Leila Barros, da deputada Erika Kokay, candidata ao Senado, e da vice na chapa de Grass, Dora Gomes.