Reforma do Fed: investigação absolve Powell, mas revela estouro de US$ 1 bilhão
O Inspetor-Geral do Federal Reserve (Fed) divulgou nesta quarta-feira (30) que não encontrou irregularidades administrativas ou motivos para ação judicial contra Jerome Powell, ex-presidente do banco central americano, no âmbito do projeto de reforma da sede em Washington. A conclusão encerra, na prática, um capítulo de tensões políticas que envolveu o ex-líder do Fed e o presidente Donald Trump.
O relatório, no entanto, aponta falhas graves na supervisão do projeto, que contribuíram para um aumento de custos de cerca de US$ 1 bilhão. O orçamento total da reforma dos dois edifícios históricos no National Mall subiu para aproximadamente US$ 2,4 bilhões, um valor que alimentou críticas da Casa Branca e de aliados de Trump.
O que diz o relatório do Inspetor-Geral do Fed?
O documento de 120 páginas afirma que “em nenhum momento durante nossa avaliação encontramos motivos razoáveis para acreditar que havia ocorrido uma violação da legislação criminal federal”. Também descarta irregularidades administrativas, embora recomende medidas corretivas na gestão do projeto.
Powell optou por não comentar o relatório. Já Kevin Warsh, que assumiu a presidência do Fed em maio, disse que seguirá as recomendações e contratará um auditor independente para “verificar a precisão e a conformidade” de todos os custos aprovados.
Por que o custo da reforma disparou?
Os críticos, incluindo o senador Tim Scott, presidente do Comitê Bancário do Senado, sugeriram que melhorias de luxo, como mármore, fontes de água e um terraço com jardim, inflaram o orçamento. O relatório, porém, concluiu que esses elementos “não contribuíram de maneira significativa” para o estouro.
O problema central foi a falha na implementação de um contrato de “preço máximo garantido”, que transferiria à empreiteira a responsabilidade por custos extras. Na prática, o teto nunca foi estabelecido, e o Fed continuou aprovando subcontratos que elevaram os gastos e o cronograma. Um exemplo: as instalações hidráulicas e de ar-condicionado custaram US$ 346 milhões, o triplo do previsto inicialmente.
Powell atribuiu os custos adicionais a desafios inesperados, como a remoção de amianto e a alta de preços de materiais e mão de obra nas áreas subterrâneas da obra.
Como a disputa política escalou?
Trump, que há anos criticava Powell por não reduzir as taxas de juros, usou o estouro de custos como nova munição política. Em julho de 2025, o presidente visitou o local da obra com Tim Scott, num episódio em que Powell pareceu corrigir publicamente os números apresentados por Trump.
A tensão atingiu o auge em janeiro de 2026, quando a procuradora dos EUA para o Distrito de Columbia, Jeanine Pirro, emitiu intimações ao Conselho de Governadores do Fed. Powell revelou a ameaça de denúncia criminal em um vídeo, classificando-a como uma tentativa de intimidar a instituição responsável pela política monetária.
A reação foi imediata: economistas, parlamentares e até republicanos aliados de Trump criticaram a interferência política. Em março, um juiz federal anulou as intimações, concordando com Powell que elas eram um pretexto para forçá-lo a reduzir as taxas ou renunciar.
Pirro encerrou sua investigação e encaminhou o caso ao Inspetor-Geral, o que permitiu que a indicação de Warsh avançasse no Senado. Powell, porém, permanece no Fed como diretor. “Eu disse que não deixarei o Conselho até que esta investigação esteja de fato e verdadeiramente encerrada, com transparência e definitividade, e mantenho o que disse”, afirmou em sua última coletiva como presidente, em abril.
Estouro de orçamento é regra em projetos públicos?
O caso do Fed não é isolado. O próprio orçamento de Trump para a reforma do salão de festas da Casa Branca dobrou, chegando a pelo menos US$ 400 milhões. A diferença é que, no Fed, a gestão falha virou combustível para uma disputa política que testou a independência do banco central americano.
Perguntas frequentes sobre a reforma do Fed
Powell foi acusado de irregularidades?
Não. O Inspetor-Geral do Fed não encontrou irregularidades administrativas ou violações criminais. As falhas apontadas foram de gestão do projeto, não de conduta pessoal.
Quanto custará a reforma dos edifícios do Fed?
O custo estimado é de US$ 2,4 bilhões, um aumento de cerca de US$ 1 bilhão em relação às previsões iniciais.
O que aconteceu com as intimações do Departamento de Justiça?
Um juiz federal as anulou em março, considerando-as um pretexto para pressionar Powell. A procuradora Jeanine Pirro encerrou a investigação e encaminhou o caso ao Inspetor-Geral.