De arquiteta a produtora de kombucha: a história de Maria Lima e da Aquela Kombucha
Maria Lima estudou arquitetura, trabalhou na moda em Londres, mas foi ao provar kombucha em Bali que encontrou o seu verdadeiro caminho. Hoje, é fundadora da Aquela Kombucha, uma marca que fatura meio milhão de euros e emprega 12 pessoas. A sua história é a 92.ª do podcast “E Se Corre Bem?”, do ECO.
Natural do Norte de Portugal, Maria licenciou-se em arquitetura na Universidade do Minho, mas cedo percebeu que não era aquilo que queria para a vida. A moda chamava-a, e foi para Londres tirar um mestrado em direção criativa. Durante seis anos, trabalhou em revistas, com designers e em showrooms. Até que o Brexit mudou tudo.
“Larguei tudo em Londres e voltei para o Porto sem um plano”, conta. “Nunca imaginei deixar a moda, era a área pela qual me apaixonei.”
O encontro com a kombucha em Bali
De volta a Portugal, Maria decidiu viajar para Bali, onde uma amiga a levou a um sítio em Ubud e lhe recomendou pedir kombucha. “Foi em 2017. Não conhecia, pedi para ela escrever o nome. Quando provei, fiquei fascinada”, recorda. Passou o resto da viagem a beber a bebida sempre que podia.
Regressou ao Porto, fez um estágio na Ordem dos Arquitetos, mas a kombucha não lhe saía da cabeça. “Fiquei sempre intrigada”, admite.
O passo que mudou tudo: fermentar em casa
Num jantar com amigos, Maria levou uma kombucha comprada no supermercado, convencida de que todos iam adorar. Mas a reação foi o oposto. “Disseram que não gostavam nada. Percebi que não tinha nada a ver com o que tinha bebido em Bali.”
Foi aí que começou a pesquisar, a ver vídeos no YouTube e a comprar livros. “Aventurei-me a fermentar kombucha em casa, porque queria uma bebida natural e saborosa como a que tinha experimentado.” Começou com um frasco de um litro, depois cinco, depois 20.
Do passa a palavra à criação da marca
Um ano depois, o produto estava bom. Amigos e família aprovaram, e as encomendas começaram a chegar, primeiro pelo yoga, depois por restaurantes. “Recebia chamadas a perguntar: ‘És a Maria Kombucha? Posso comprar?’”, lembra.
O nome “Aquela Kombucha” surgiu numa conversa com amigos. Maria registou a marca e encontrou um espaço no Bonfim, no Porto, uma antiga gráfica com renda acessível. Montou a produção com a ajuda de um cervejeiro. Quando já tinha stock para lançar, chegou a pandemia.
“Não senti medo, não tinha funcionários. Como já tinha site, criei uma loja online e lancei em maio. As vendas começaram logo”, conta.
O presente e o futuro da Aquela Kombucha
Hoje, a marca tem uma fábrica na Maia e 12 funcionários. No ano passado, faturou meio milhão de euros. “Estou a construir algo que funciona sem mim no dia a dia”, garante Maria.
“Se alguma vez me imaginei a trabalhar numa fábrica? Claro que não. Mas o drive de criar este projeto e sentir que fazia algo com valor acrescentado era excitante. Se os outros fazem, por que é que eu não hei de conseguir fazer?”, conclui.
O podcast “E Se Corre Bem?”
O podcast “E Se Corre Bem?” está disponível no Spotify e na Apple Podcasts. É uma iniciativa do ECO, conduzida por Diogo Agostinho, COO do ECO, com o apoio da Nissan e da Scalpers. O objetivo é inspirar pessoas a arriscar, a ter coragem e a acreditar nas suas capacidades.