Tukan da Volkswagen: híbrida, 1.4 TSI ou 1.6 aspirado? O que esperar da nova picape
A Volkswagen Tukan foi apresentada oficialmente, mas a fabricante ainda guarda um segredo importante: a gama de motores. A nova picape chega ao mercado no primeiro semestre de 2027, com cabines simples e dupla, e terá a missão de disputar espaço em dois segmentos diferentes.
As versões de entrada vão enfrentar a Fiat Strada e as configurações de trabalho da Chevrolet Montana. Já as mais sofisticadas mirarão Fiat Toro, Ram Rampage, Ford Maverick e a futura Renault Niagara.
O R7-Autos Carros já adiantou que a versão Extreme deve estrear o motor 1.5 TSI Evo2 flex, combinado a um sistema híbrido leve de 48 volts. Inicialmente, o conjunto será importado do México, com nacionalização prevista para uma etapa posterior.
A grande dúvida é o que vem abaixo dela. A Volkswagen usará o conhecido 1.4 TSI como motorização convencional da picape? E a Robust terá o 1.6 MSI aspirado ou um 1.0 TSI recalibrado?
A resposta mais provável é que a Tukan tenha até quatro níveis mecânicos. O 1.6 MSI deve ficar para a Robust e a cabine simples. O 1.0 TSI pode atender configurações intermediárias de menor preço. O 1.4 TSI será a alternativa mais forte sem eletrificação. E o novo 1.5 Evo2 híbrido ficará reservado à Extreme.
Tukan Extreme será híbrida de 48V
A configuração mais sofisticada vai usar um motor EA211 evoluído, agora com 1,5 litro, quatro cilindros, turbo e injeção direta. A expectativa é de cerca de 150 cv e 25,5 kgfm de torque, números próximos aos do atual 1.4 TSI, mas com mais eficiência e menos emissões.
O 1.5 TSI Evo2 usa tecnologias modernas de gerenciamento térmico e combustão. Dependendo da calibração escolhida pela Volkswagen, pode ter desativação parcial dos cilindros em baixa carga. A novidade é o sistema elétrico de 48V, com motor-gerador acionado por correia e uma pequena bateria.
Motor 1.4 TSI deve continuar em parte da gama
Apesar do novo 1.5 TSI representar o futuro da marca, o atual 1.4 TSI ainda tem espaço na Tukan. Produzido em São Carlos, no interior de São Paulo, ele entrega 150 cv e 25,5 kgfm, sempre com câmbio automático de seis marchas nos modelos brasileiros.
Na Tukan, esse motor pode equipar versões de cabine dupla abaixo da Extreme. Seria uma forma de oferecer desempenho próximo ao da híbrida sem o custo extra do sistema de 48V e dos componentes importados. O 1.4 TSI é conhecido pela rede de concessionárias e já usado em modelos como T-Cross, Nivus GTS, Virtus Exclusive e Taos.
A permanência do motor, porém, pode ser temporária. À medida que a Volkswagen nacionalizar o 1.5 TSI Evo2 e ampliar a produção, a nova unidade tende a substituir o 1.4 gradualmente. A composição final da gama dependerá do ritmo de importação do México, do custo do sistema híbrido e da capacidade industrial no lançamento.
Versões intermediárias podem usar motor 1.0 TSI
Outra possibilidade é o motor 1.0 TSI de três cilindros nas versões intermediárias. Uma calibração mais eficiente poderia trabalhar na faixa de 116 cv e 16,8 kgfm, conjunto semelhante ao usado em compactos recentes da marca, com transmissão automática de seis marchas.
Existe também a alternativa do 200 TSI, capaz de entregar até 128 cv e 20,4 kgfm com etanol. O 1.0 turbo ajudaria a reduzir consumo, emissões e preço, mas precisaria de calibração específica.
Uma picape trabalha frequentemente carregada, circula em estradas de terra e pode enfrentar longas subidas. Nessa condição, o torque em baixa rotação é mais importante que a potência máxima. A fabricante também precisaria definir relações de câmbio adequadas para evitar que o motor trabalhe sempre em rotações elevadas.
Robust deve preservar o motor 1.6 MSI
Para a Tukan Robust, especialmente na cabine simples, o conhecido motor 1.6 MSI aspirado aparece como a alternativa mais provável. Usado atualmente na Saveiro, ele entrega até 116 cv e 16,1 kgfm com etanol, associado ao câmbio manual de cinco marchas.
Apesar de menos moderno, o 1.6 tem características importantes para o público profissional: construção simples, manutenção conhecida, entrega linear de potência e menor sensibilidade a condições severas. Frotistas, produtores rurais, prestadores de serviço e empresas valorizam mais o custo operacional do que o desempenho absoluto.
Protótipos da Tukan com motor 1.6 já foram flagrados durante o desenvolvimento. Também é estudada uma configuração abastecida exclusivamente com etanol. A estratégia permitiria reduzir emissões no ciclo completo do combustível e buscar condições tributárias favoráveis dentro do programa Mover. A configuração definitiva ainda depende de homologação e enquadramento fiscal.
A manutenção do 1.6 também ajudaria a posicionar a Tukan Robust contra a Fiat Strada. O problema é que a nova Volkswagen será maior, mais larga e potencialmente mais pesada que a Saveiro. Com carga completa, o desempenho do motor aspirado pode ficar limitado. Por isso, a Volkswagen mantém o 1.0 TSI como alternativa técnica para algumas configurações.
Picape será maior e mais versátil que a Saveiro
Construída sobre uma variação da plataforma MQB, a Tukan será produzida em São José dos Pinhais, no Paraná. A picape terá arquitetura monobloco, mas usará suspensão traseira preparada para suportar carga, com solução mais robusta que a dos SUVs derivados da mesma plataforma.
A Volkswagen ainda não divulgou oficialmente dimensões, volume da caçamba ou capacidade de carga. A fabricante afirma, contudo, que o modelo terá números competitivos de vão livre do solo, ângulo de entrada e carga útil. Informações preliminares indicam capacidade superior a 700 kg, dependendo da versão e da carroceria.
A Tukan cabine simples terá foco comercial e uma caçamba maior, ocupando o espaço hoje atendido pela Saveiro. Já a cabine dupla será responsável pelo maior volume de vendas e terá proposta mais próxima de Chevrolet Montana e Fiat Toro. A Extreme adicionará acabamento sofisticado, equipamentos de assistência ao motorista e visual aventureiro.
O que esperar da nova picape da Volkswagen?
A Tukan chega para renovar o segmento de picapes médias, com uma gama de motores que equilibra desempenho, eficiência e custo. A versão híbrida leve de 48V representa um passo importante em direção à eletrificação, enquanto o 1.4 TSI e o 1.6 MSI garantem opções mais acessíveis e robustas.
A definição final da gama dependerá de fatores como importação, custos e capacidade industrial. O que é certo é que a Tukan terá a difícil tarefa de agradar desde o cliente comercial até o consumidor que busca tecnologia e sofisticação. E a Volkswagen parece disposta a apostar em uma estratégia ampla para conquistar os dois públicos.