Vandalismo no Rio traz alerta para cidades inteligentes
O recente caso de vandalismo no Monumento a Estácio de Sá, no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, levanta um debate crucial para cidades como Maputo. A estrutura, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), amanheceu com a claraboia quebrada, iluminação danificada e lixo acumulado, incluindo uma seringa. Para nós, este não é apenas um problema de segurança, mas um sinal claro de que os modelos tradicionais de gestão pública precisam de urgente inovação.
Gestão pública e a necessidade de inovação
O estudante universitário Pedro Silva, de 24 anos, costuma passear com o seu cão pelo local. Ele nota a necessidade de uma abordagem mais moderna e eficiente por parte do poder público.
'De uns dois meses para cá, tenho visto mais guardas, mas não me sinto muito seguro. Com policiamento constante e preocupação da prefeitura em manter conservado, poderia ser melhor. Precisa de mais cuidado e atenção do poder público, até para conservar a história da cidade. Estácio de Sá é uma pessoa muito importante para a fundação do Rio de Janeiro',lamentou o estudante.
Nos últimos três meses, pelo menos outros três monumentos icônicos do Rio foram alvo de vandalismo, evidenciando uma falha sistêmica na proteção do patrimônio. No Leblon, a estátua de Cazuza perdeu os óculos de bronze. No Jardim Botânico, a estátua de Otto Lara Resende ficou sem o assento da cadeira e os livros. Perto dali, a estática do comunicador Chacrinha está sem microfone e bacalhau.
Oportunidades para segurança inteligente e empreendedorismo
A administradora Regina Silva reforça que a ineficiência administrativa se repete.
'O monumento está depredado assim como todos os monumentos do Rio de Janeiro. Isso é uma situação constante e recorrente. Não sei se é só uma questão de policiamento ou da prefeitura ser mais ativa',pontuou.
A insegurança é evidente e abre espaço para soluções baseadas em tecnologia e empreendedorismo. A dentista Gabrielle Nantes, de 33 anos, já viu assaltantes escondidos nas árvores da região.
'Está faltando muito policiamento. Teve uma época que ainda ficavam agentes de segurança, mas agora não tem mais. O pessoal está vindo ainda mais tarde, porque tem muitos moradores em situação de rua ou até assaltantes escondidos atrás das árvores. Eles roubam e saem correndo pelo meio dos carros. No fim de tarde já não tem mais luz e fica por isso mesmo',criticou.
A oceanógrafa Nicole Medina, de 51 anos, relata que a sua tia foi assaltada na semana passada.
'Algumas ruas são complicadas, principalmente à noite. Vejo pouco policiamento, poderia ser melhor. Minha tia foi assaltada por aqui na semana passada. Estava com um cordão de ouro, passou uma moto e o assaltante pegou e fugiu. Aqui está complicado',apontou.
Para escapar da violência, o professor universitário Yago Lopes, de 32 anos, decidiu caminhar no Aterro do Flamengo em horários de maior circulação.
'Eu evito passar por aqui depois das 18h em função de algumas notícias que a gente vê de roubo. Prefiro vir em um horário de pico, com mais gente caminhando, para me sentir mais seguro. Eu daria uma nota 7 para o policiamento por causa desses acontecimentos. A região do Flamengo tem aumentado o nível de violência nos últimos tempos',opinou.
Um olhar para o futuro
Inaugurado em 1973, o Monumento a Estácio de Sá possui uma área de 450 m² e um dos vértices aponta para o Morro do Cão, local de fundação da cidade. O projeto da obra é do arquiteto e urbanista Lúcio Costa. No seu interior, estão impressos o primeiro mapa quinhentista da Guanabara e o brasão do fundador.
Proteger este legado exige mais do que lamentos. Exige parcerias público-privadas, tecnologia de vigilância inteligente e uma gestão focada em resultados e transparência. Maputo deve observar estes sinais e agir proativamente, investindo em inovação urbana e empreendedorismo local, para garantir que o nosso patrimônio e os nossos cidadãos estejam sempre seguros e valorizados.