Parlamento Europeu pressiona por medidas restritivas contra agência americana ICE
O Parlamento Europeu está a intensificar a pressão sobre as instituições da União Europeia para implementar medidas restritivas contra a Agência de Imigração e Alfândegas dos Estados Unidos (ICE), numa altura em que crescem as preocupações sobre o controlo democrático e os direitos humanos.
A controvérsia ganhou força após confirmações de que agentes da ICE estarão presentes durante os Jogos Olímpicos de inverno de Milão-Cortina, que começam a 6 de fevereiro. Esta decisão tem gerado forte oposição de legisladores europeus e autoridades locais italianas.
Preocupações com direitos humanos alimentam debate
As críticas à ICE intensificaram-se após a morte de dois residentes de Minneapolis, Renée Good e Alex Pretti, por agentes da agência em incidentes separados este mês. Nos Estados Unidos, a ICE tem enfrentado acusações de uso excessivo da força e conduta violenta.
"É uma afronta a Itália por parte de Trump", declarou o eurodeputado socialista Sandro Ruotolo à Euronews, argumentando que os Jogos Olímpicos estão a ser utilizados como montra para a ICE numa altura crítica para a agência.
Manon Aubry e Martin Schirdewan, co-presidentes do grupo A Esquerda no Parlamento Europeu, enviaram uma carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apelando a "medidas restritivas" contra os agentes da ICE.
Itália defende cooperação limitada
O Ministério do Interior italiano esclareceu que o pessoal da ICE atuará exclusivamente ao lado das autoridades italianas nos centros de coordenação, sem patrulhar espaços públicos ou realizar atividades de aplicação da lei de imigração.
O ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, tentou acalmar as tensões, afirmando que "não são as SS que vêm para cá" e sublinhando que o pessoal envolvido não é o mesmo das operações controversas nos EUA.
Contudo, a oposição mantém-se forte. O presidente da câmara de Milão, Giuseppe Sala, apelou à proibição da entrada dos agentes, enquanto partidos da oposição convocaram uma manifestação para sábado.
Empresa francesa sob escrutínio
Paralelamente, surgiu uma controvérsia em França envolvendo a multinacional Capgemini. Uma investigação revelou que a filial americana da empresa forneceu à ICE "serviços de rastreio de fugas para operações de execução e remoção" através de um contrato de 365 milhões de dólares.
O ministro da Economia francês, Roland Lescure, pediu esclarecimentos à empresa sobre estas atividades, declarando na Assembleia Nacional que a Capgemini deve "esclarecer de forma extremamente transparente" as suas operações.
Comissão Europeia mantém posição
A Comissão Europeia recusou-se a comentar os pedidos de restrições, reiterando que as questões de segurança são da competência nacional. "A segurança nacional é da exclusiva responsabilidade de cada Estado-membro", afirmou um porta-voz.
Esta posição contrasta com as crescentes vozes no Parlamento Europeu que defendem uma abordagem mais assertiva da UE em questões de direitos humanos, mesmo quando envolvem parceiros internacionais.