Presidente da FIFA gera polémica ao defender fim do boicote à Rússia
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, encontra-se novamente no centro de uma controvérsia internacional após declarações polémicas sobre a reintegração da Rússia nas competições de futebol. Em entrevista à Sky Sports, Infantino argumentou que os boicotes desportivos "só criaram mais frustração e ódio", defendendo o fim das sanções impostas ao país.
Posição controversa sobre boicotes desportivos
"Temos de o fazer. Claramente. Porque este boicote não alcançou nada, só criou mais frustração e ódio", declarou Infantino. O dirigente máximo do futebol mundial sustenta que "nunca deveríamos impedir nenhum país de jogar futebol devido a atos políticos dos seus líderes" e que "alguém tem de manter os laços abertos".
Esta perspetiva reflete uma abordagem que prioriza a separação entre desporto e política, um tema que tem dividido opiniões no cenário internacional. Para Infantino, o futebol deve servir como ponte de diálogo, independentemente dos conflitos geopolíticos.
Resposta firme das autoridades ucranianas
A reação ucraniana foi imediata e contundente. A Federação de Futebol da Ucrânia (UAF) emitiu um comunicado oficial apelando ao presidente da FIFA para que "não altere a posição" sobre a suspensão russa, citando a continuação das operações militares e os ataques a infraestruturas civis.
"As operações militares no território da Ucrânia continuam, a situação não melhorou, os ataques estão a destruir infraestruturas civis e as vidas de civis", argumenta a federação ucraniana, considerando a suspensão "um método eficaz de pressão contra um agressor".
Críticas diplomáticas intensas
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, utilizou a rede social X para condenar as declarações, estabelecendo paralelos históricos: "679 raparigas e rapazes ucranianos nunca serão capazes de jogar futebol, a Rússia matou-os". Sybiha comparou a situação aos Jogos Olímpicos de 1936, organizados pela Alemanha nazi.
Matvii Bidnyi, ministro do Desporto ucraniano, foi ainda mais direto, classificando as palavras de Infantino como "irresponsáveis" e recordando que "mais de 650 atletas e treinadores ucranianos foram mortos por russos" desde o início do conflito, incluindo mais de uma centena de futebolistas.
Impacto no desporto internacional
Esta polémica levanta questões fundamentais sobre o papel do desporto na diplomacia internacional e a eficácia das sanções desportivas como instrumento de pressão política. A posição de Infantino desafia o consenso atual sobre o isolamento desportivo da Rússia, estabelecido pela comunidade internacional em resposta ao conflito.
A discussão reflete tensões mais amplas sobre como as organizações desportivas devem responder a crises geopolíticas, equilibrando princípios de universalidade desportiva com considerações éticas e de segurança internacional.