A Powerdot, empresa portuguesa de carregamento de veículos elétricos, opera já cerca de 2.500 localizações e mais de 12 mil pontos de recarga em seis países europeus, segundo revelou o CEO Luís Santiago Pinto no 21º episódio do podcast ECO Auto, divulgado a 15 de outubro de 2026. A companhia nasceu de uma ideia simples: aproveitar o tempo em que os automóveis estão parados para os carregar nos lugares onde as pessoas já vão.
A conversa, uma parceria entre o ECO e o Mundo Automóvel, percorreu a trajetória da empresa, a regulação do setor e o futuro económico da mobilidade elétrica na Europa. Para um público como o moçambicano, atento a histórias de empreendedorismo e inovação, o caso mostra como um problema concreto pode transformar-se num negócio de escala continental.
Como nasceu o conceito de carregamento no destino
Luís Santiago Pinto é licenciado e mestre em engenharia civil, mas construiu a carreira na área da gestão. Trabalhou no desenvolvimento das operações da Uber em Portugal, na implantação e logística da Lime e é cofundador da Powerdot. Foi a partir dessa experiência com novas formas de mobilidade que surgiu a empresa.
Em vez de copiar o modelo tradicional da bomba de combustível, os fundadores olharam para os números. O carro passa a maior parte da vida estacionado, e é aí que está a oportunidade.
O carro está parado 90% do tempo, por isso é uma grande oportunidade para as pessoas não terem de fazer um desvio da sua vida para carregar o carro.
Desta constatação nasceu o conceito de carregamento no destino: carregadores instalados em supermercados, centros comerciais, restaurantes, hotéis, farmácias e outros espaços de retalho. O cliente faz as suas compras ou come enquanto o veículo carrega, sem alterar a rotina.
Um modelo de negócio que remove barreiras
A proposta da Powerdot tem uma particularidade que ajudou a ultrapassar uma das principais barreiras à expansão da infraestrutura. A empresa assume o investimento e a operação dos carregadores, deixando os operadores de retalho fora da complexidade do negócio.
A Powerdot investe, instala e opera os carregadores, não tem nenhum custo associado, nem nenhum impacto operacional para os operadores.
A lógica é direta: o carregamento não é o negócio principal de um supermercado ou de um hotel, mas acrescenta valor à experiência dos clientes. Ao retirar o custo e o risco, a Powerdot conseguiu convencer parceiros que nunca entrariam sozinhos neste mercado.
Da escala nacional à expansão europeia
A empresa começou por crescer em Portugal e, em 2020, iniciou a expansão internacional. Espanha foi um dos primeiros mercados, seguindo-se França, Bélgica, Luxemburgo e Polónia. Hoje opera cerca de 2.500 localizações e mais de 12 mil pontos de carregamento em seis países europeus.
Portugal não deixa de ser um país fantástico, mas é um país pequeno e nós tínhamos grandes ambições.
A internacionalização permitiu transformar um modelo desenvolvido em Portugal numa operação de escala europeia. Recentemente, a empresa acrescentou uma parceria com a HUBJECT para tornar mais de 7.000 pontos de recarga compatíveis com o sistema Plug & Charge, que elimina a complexidade de autenticação e pagamento. O condutor liga o carro e a faturação acontece de forma automática.
Porque é que Portugal teve uma vantagem inicial?
Segundo Luís Santiago Pinto, a existência da rede Mobi.E e de uma experiência de carregamento simples foi decisiva para criar confiança no mercado português.
Permitia carregamento com um cartão em qualquer posto era muito inovador e muito importante para o desenvolvimento.
Espanha, pelo contrário, enfrentou durante mais tempo uma realidade regulatória e burocrática mais complexa, o que contribuiu para um desenvolvimento mais lento da mobilidade elétrica. O CEO considera que a nova fase regulatória em Portugal abre espaço para mais competição no setor.
É preciso que com mais liberdade de operação, possa começar a haver mais competição no setor.
A lição para quem olha de fora é clara: a regulação simples e previsível acelera a inovação, enquanto a burocracia a trava. Em mercados emergentes, onde a infraestrutura de recarga ainda está a dar os primeiros passos, este é um alerta relevante para os decisores públicos.
Consolidação e tecnologia: o que vem a seguir
Apesar do crescimento do mercado, Luís Santiago Pinto antecipa que a escala será determinante para a sustentabilidade dos operadores. A tendência poderá passar por uma maior consolidação do setor, à medida que a eletrificação aumenta e as empresas procuram ganhar eficiência.
Ao mesmo tempo, a tecnologia está a abrir novas possibilidades. Preços dinâmicos, modelos de subscrição, carregamento ilimitado e novas formas de relacionamento com o utilizador já estão a ser testados pela Powerdot em diferentes mercados.
Tudo isso é possível fazer através de tecnologia.
O carregamento inteligente poderá ser uma das próximas fronteiras, embora o CEO considere que o setor ainda está numa fase inicial. Antes da inteligência artificial e das soluções mais sofisticadas, existe uma condição essencial: garantir que a infraestrutura funciona e que o utilizador consegue carregar o automóvel com uma experiência simples e fiável.
A eletrificação como necessidade económica
Para o CEO da Powerdot, a discussão ultrapassa a indústria automóvel. A dependência energética da Europa, a evolução dos custos de transporte e a capacidade do continente produzir energia através de fontes diversificadas colocam a eletrificação no centro da estratégia económica.
A eletrificação não é uma opção, é uma necessidade.
O futuro, na sua perspetiva, será marcado pela normalização do automóvel elétrico: vejo uma adoção em massa.
Perguntas frequentes
O que é o carregamento no destino?
É um modelo que instala carregadores nos locais onde as pessoas já se deslocam, como supermercados, centros comerciais e hotéis, permitindo carregar o carro durante atividades do dia a dia, em vez de fazer um desvio específico para uma estação de serviço.
Quem paga a instalação dos carregadores da Powerdot?
A própria Powerdot investe, instala e opera os carregadores, sem custo nem impacto operacional para os operadores de retalho que acolhem os equipamentos.
Em que países opera a Powerdot?
Portugal, Espanha, França, Bélgica, Luxemburgo e Polónia, somando cerca de 2.500 localizações e mais de 12 mil pontos de carregamento, segundo os dados divulgados pelo ECO.
