Moção de censura do Chega é “ridícula” e visa “derrubar o Governo”, diz Hugo Soares
O líder da bancada parlamentar do PSD, Hugo Soares, classificou como “ridícula” a moção de censura apresentada pelo Chega ao Governo, sublinhando que o objetivo real é “derrubar um governo e provocar eleições”. Em entrevista à SIC Notícias, o social-democrata defendeu que a iniciativa não é contra o ministro da Administração Interna, Luís Neves, mas sim contra o Executivo como um todo, o que torna o gesto “ridículo”.
Porque é que a moção de censura é considerada “ridícula”?
Hugo Soares explicou que uma moção de censura serve para derrubar o Governo e convocar eleições, e não para atacar um ministro específico. “Esta não é uma moção de censura contra Luís Neves, não é uma moção de censura contra este ou aquele aspeto. É uma moção de censura contra um Governo e por isso é que ela é ridícula”, afirmou. O líder parlamentar do PSD criticou ainda a “censura a um governo sem saber o resultado do inquérito” pedido pelo Ministério da Justiça sobre o período em que Luís Neves dirigia a Polícia Judiciária.
O que diz Hugo Soares sobre as polémicas envolvendo Luís Neves?
O social-democrata desvalorizou as revelações sobre a conduta do ministro, incluindo o facto de Luís Neves andar num carro que pertencia a um ex-traficante de droga. “É ilegal? Não é ilegal, é normal, é possível e é assim que acontece”, defendeu, acrescentando que o uso de bens apreendidos a criminosos é prática comum no Estado. Hugo Soares ironizou: “Esperavam que andasse num carro de um empresário de sucesso?”. O líder parlamentar do PSD condenou ainda as declarações de André Ventura que “juntam o ministro ao tráfico de droga”, lembrando que Luís Neves “combateu como poucos o tráfico de droga” ao longo da sua carreira.
Quem está a pôr em causa as instituições?
Para Hugo Soares, é André Ventura, presidente do Chega, quem “está a pôr em causa as instituições” com este tipo de comentários. “Haja respeito. Quem está a pôr em causa as instituições é o deputado André Ventura com este tipo de comentário e é isto que tem de ser dito de uma vez por todas”, rematou. O social-democrata criticou ainda a sequência de acontecimentos, que começou com o anúncio de uma comissão de inquérito, passou por um projeto de resolução e terminou com a ameaça de moção de censura, num clima de “silly season” alimentado pelos media.
O que diz o Chega sobre a moção?
Na quarta-feira, o Chega entregou no Parlamento a moção de censura ao Governo, que só passará com o apoio do PS. André Ventura desafiou o primeiro-ministro: “Se o primeiro-ministro não compreende que este é um problema de decência e de dignidade do Estado, então o principal partido da oposição deve demonstrar, humildemente, que é mesmo uma questão de dignidade das instituições”. Um dia antes, Luís Neves reagiu às polémicas numa cerimónia da PSP na Madeira, afirmando: “Podem continuar a gritar, vou continuar a governar.”
FAQ
O que é uma moção de censura?
Uma moção de censura é um instrumento parlamentar que visa derrubar o Governo e, em muitos casos, levar à convocação de eleições antecipadas. No caso apresentado pelo Chega, a moção precisa do apoio do PS para ser aprovada.
Porque é que Luís Neves está no centro da polémica?
Luís Neves, ministro da Administração Interna, tem sido alvo de reportagens sobre a sua conduta enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária, incluindo o uso de um carro que pertencia a um ex-traficante de droga. O Ministério da Justiça pediu um inquérito sobre esse período.
Qual é a posição do PSD sobre a moção?
O PSD considera a moção “ridícula” e defende que o objetivo é derrubar o Governo, não responder a questões concretas. Hugo Soares sublinhou que a iniciativa é uma forma de “censura” sem esperar pelos resultados do inquérito.