Inflação alimentar atinge máximos históricos na Europa: oportunidades para Moçambique
A Europa enfrenta uma crise inflacionária sem precedentes no sector alimentar, com o cabaz básico português a registar aumentos de 35% nos últimos quatro anos. Esta situação, embora preocupante para os consumidores europeus, pode representar oportunidades estratégicas para economias emergentes como Moçambique.
Números que revelam uma nova realidade económica
Segundo dados da DECO PROteste, o cabaz alimentar português atingiu 253,43 euros na primeira quinzena de fevereiro, representando o valor mais elevado desde 2022. Esta subida de 65,73 euros face ao início da monitorização revela uma tendência preocupante que se estende por toda a União Europeia.
Os produtos que mais contribuíram para esta escalada incluem a carne de novilho (mais 119%), ovos (mais 86%) e café torrado moído (mais 76%). Apenas na primeira semana de 2026, produtos como a curgete registaram aumentos impressionantes de 96%.
Causas estruturais e oportunidades emergentes
A invasão russa da Ucrânia transformou radicalmente as cadeias de abastecimento europeias, criando escassez de cereais e matérias-primas essenciais. Esta disrupção, combinada com os efeitos persistentes da pandemia e eventos climáticos extremos, redesenhou o mapa económico global do sector agroalimentar.
Para economias como a moçambicana, esta crise europeia abre janelas de oportunidade únicas:
- Diversificação das exportações agrícolas para mercados europeus carentes
- Desenvolvimento de cadeias de valor locais mais competitivas
- Atracção de investimento direto estrangeiro no sector primário
- Fortalecimento da segurança alimentar regional
Panorama europeu revela vulnerabilidades
Os dados do Eurostat confirmam que a inflação alimentar média na UE atingiu 2,8% em 2025, com alguns produtos a registar aumentos superiores a 10%. A Turquia lidera com 32,8% de inflação alimentar, seguida pelo Kosovo (7,6%) e Roménia (6,7%).
Curiosamente, apenas a Suíça conseguiu reduzir os preços alimentares (-1,1%), demonstrando que políticas económicas inovadoras podem contrariar tendências globais adversas.
Lições para o desenvolvimento sustentável
Esta crise europeia sublinha a importância da diversificação económica e da resiliência das cadeias de abastecimento. Para países em desenvolvimento como Moçambique, representa uma oportunidade de posicionamento estratégico no mercado global, aproveitando vantagens competitivas naturais e geográficas.
O momento actual exige visão empreendedora e políticas públicas que facilitem a inserção competitiva nos mercados internacionais, transformando desafios globais em oportunidades locais de crescimento económico sustentável.