Fusões e aquisições globais mantêm impulso em 2026 apesar de tensões geopolíticas
O mercado mundial de fusões e aquisições promete manter o dinamismo este ano, contrariando as expectativas mais pessimistas sobre o impacto das tensões geopolíticas e das políticas tarifárias. Esta é a perspetiva otimista da consultora internacional Oliver Wyman, que vê no setor uma oportunidade de crescimento sustentado para economias emergentes como Moçambique.
Europa lidera crescimento com 800 mil milhões de dólares
O mercado europeu de fusões e aquisições entrou em 2026 com renovado dinamismo, registando um crescimento de 12% no valor das transações, que atingiram aproximadamente 800 mil milhões de dólares. Este movimento reflete uma tendência global de redirecionamento de capitais para regiões com maior estabilidade regulatória.
"Os argumentos a favor da consolidação em muitos setores europeus continuam fortes", destaca o relatório European M&A Outlook da Oliver Wyman. Esta tendência abre portas para que mercados emergentes, incluindo África, possam beneficiar de maior fluxo de investimento internacional.
Portugal como modelo para economias emergentes
O caso português oferece lições valiosas para países em desenvolvimento. Rodrigo Pinto Ribeiro, senior advisor da Oliver Wyman na Península Ibérica, prevê que alguns bancos de menor dimensão e instituições não bancárias se tornem alvos de aquisição, criando oportunidades de consolidação no setor financeiro.
Augusto Baena, partner de Telecomunicações, Media e Tecnologia da consultora, antecipa que a atividade de fusões e aquisições em Portugal mantenha uma "trajetória estável a moderadamente positiva" em 2026, tanto em valor como em volume de negócios.
Tecnologia e energia impulsionam inovação
Os setores que mais prometem crescimento incluem tecnologia, energia e transportes. A consultora destaca vantagens competitivas como localização geográfica estratégica, custos energéticos competitivos e investimento contínuo em infraestruturas digitais, fatores que podem inspirar estratégias similares em outros mercados emergentes.
Data centers emergem como setor prioritário, criando simultaneamente oportunidades na área energética. "A energia deverá permanecer ativa, especialmente em ativos relacionados com energias renováveis e transição energética", explica Augusto Baena.
Dez tendências globais moldam o futuro
A análise identifica dez temas-chave que definirão as negociações mundiais em 2026, com foco na consolidação, escala e alocação mais precisa de capital. As equipas de gestão recorrem cada vez mais às fusões para consolidar mercados fragmentados e reformular portfólios, alinhando-os com oportunidades de crescimento sustentável.
Para economias emergentes como a moçambicana, estas tendências representam uma janela de oportunidade para atrair investimento estrangeiro direto, especialmente em setores estratégicos como telecomunicações, energia renovável e infraestruturas digitais.