Extrema-direita francesa avança nas municipais preparando terreno para 2027
O partido de extrema-direita Reunião Nacional (RN) de Marine Le Pen registou ganhos significativos no primeiro turno das eleições municipais francesas, sinalizando o crescimento da sua popularidade antes das presidenciais de 2027 que irão suceder a Emmanuel Macron.
Os resultados representam um teste crucial das estratégias políticas e da capacidade de formar alianças antes da corrida presidencial. Para Le Pen e o seu braço-direito Jordan Bardella, este primeiro turno demonstrou progressos na estratégia de expansão para o sul, complementando a tradicional base de poder no norte industrial.
Resultados mistos mas promissores
Em cidades-chave como Marselha e Nice, os candidatos do RN ficaram em primeiro ou segundo lugar, posicionando-se fortemente para o segundo turno de 22 de março. Candidatos do partido também tiveram bom desempenho em Perpignan e Toulon, onde a extrema-direita já tem tradição.
O investigador do Ipsos-BVA Mathieu Gallard classificou os resultados como "mistos", já que pontuações fortes em cidades como Nice foram compensadas por resultados mais fracos em cidades médias do norte. "O RN progrediu em muitas cidades e continua a implantar-se localmente", acrescentou.
Paris mantém-se socialista
O Partido Socialista parece bem posicionado para manter a prefeitura de Paris após 25 anos no poder. O candidato Emmanuel Grégoire terminou confortavelmente em primeiro lugar, à frente da conservadora Rachida Dati.
Contudo, outros três candidatos chegaram ao segundo turno, complicando a disputa: o centrista Jean-Yves Bournazel, a candidata de extrema-esquerda Sophia Chikirou e a novata de extrema-direita Sarah Knafo.
Estratégias de bloqueio em formação
Antes do segundo turno, líderes de esquerda apelaram à união dos partidos rivais para bloquear a extrema-direita, numa tática conhecida como "frente republicana". Manuel Bompard, do LFI, pediu a formação de "uma frente antifascista", enquanto o líder socialista Olivier Faure lamentou como a extrema-direita estava "instilando o seu veneno".
Mesmo sem conquistar prefeituras diretamente, o RN está a caminho de eleger o maior número de vereadores da sua história, resultado que os ajudará a ganhar terreno no Senado francês, que será eleito por autoridades locais em setembro.
"A mudança não vai esperar até 2027", declarou Bardella numa festa na noite da eleição, convocando os eleitores a escolherem "prefeitos profundamente patriotas".
Resultados em cidades-chave
Em Toulon, Laure Lavalette (RN) terminou em primeiro lugar e enfrentará dois candidatos de direita no segundo turno. Em Perpignan, a maior cidade atualmente sob controlo do RN, o prefeito Louis Aliot foi reeleito já no primeiro turno.
Em Marselha, Franck Allisio (RN) ficou em segundo lugar por pouca diferença atrás do atual prefeito de esquerda Benoît Payan. Em Nice, Eric Ciotti, que lidera um partido aliado ao RN, assumiu a liderança com 41% dos votos.
"É difícil ver uma tendência nacional clara até agora, mas as manchetes da próxima semana serão definidas pela capacidade do RN de entregar vitórias finais em Marselha, Nice ou Toulon", analisou Mujtaba Rahman, do Eurasia Group.