População da Alemanha encolhe 2,2% até 2045: o que isso ensina a Moçambique?
A Alemanha enfrenta um desafio demográfico que pode servir de lição para economias emergentes como Moçambique. Segundo um estudo do Instituto de Berlim para População e Desenvolvimento, o país europeu deve perder cerca de 1,7 milhão de habitantes até 2045, passando de 83,3 milhões para 81,8 milhões, uma queda de 2,2%. Mais preocupante ainda: a população em idade ativa deve encolher 4,7% no mesmo período, pressionando a economia e os serviços públicos.
O relatório, intitulado Situação Demográfica da Nação, foi apresentado nesta terça-feira (06/10) e revela que mais de dois terços dos 400 distritos e cidades independentes da Alemanha perderão população. Quase 200 regiões que ainda cresciam há poucos anos agora devem encolher, segundo os pesquisadores.
Por que a população alemã está diminuindo?
A principal causa é a aposentadoria da geração baby boomer, pessoas nascidas entre 1946 e 1964, período de forte aumento da natalidade após a Segunda Guerra Mundial. Com essa geração chegando à idade de reforma, a força de trabalho alemã sofre uma redução significativa, especialmente nos estados da Turíngia, Saxônia-Anhalt, Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Sarre, onde a queda varia entre 12% e 18%.
No relatório anterior, de 2019, o instituto ainda falava em uma alta demográfica temporária, com a população crescendo e devendo permanecer estável. Mas o cenário mudou drasticamente, e agora a questão decisiva não é mais se a população cresce ou diminui, mas onde isso ocorre, explicou a presidente do instituto, Catherina Hinz.
Leste e oeste: contrastes que definem o futuro
Os dados mostram um país dividido. No leste, 12 dos 20 distritos e cidades independentes com as piores avaliações gerais estão localizados, contra apenas cinco em 2019. Cidades como Leipzig, Dresden e Potsdam devem crescer, mas municípios como Suhl e Sonneberg, na Turíngia, podem perder até 30% da população.
No oeste, as metrópoles de Frankfurt e Düsseldorf seguem atraindo habitantes, enquanto o estado do Sarre, no sudoeste, deve encolher. A Baviera, no sul, destaca-se cada vez mais: 18 dos 20 distritos mais bem classificados estão no estado, um salto significativo em relação aos 12 registrados em 2019.
O que a Alemanha pode ensinar a Moçambique?
Para um país jovem como Moçambique, com uma população em crescimento e uma economia em expansão, o caso alemão oferece lições valiosas sobre planejamento de longo prazo. Investir em educação de ponta, inovação tecnológica e reformas de mercado pode preparar uma nação para os desafios demográficos, seja de crescimento ou de encolhimento.
Manuel Slupina, da Fundação Wüstenrot, que elaborou o relatório em parceria com o Instituto de Berlim, defende que
a política não conseguirá deter o declínio populacional em muitas regiões, mas pode e deve geri-lo. Para isso, seriam necessárias novas formas de prestação de serviços públicos essenciais e soluções adaptadas às realidades de cada região.
Esta é a quinta pesquisa sobre a situação demográfica realizada pelo Instituto de Berlim, com um sistema de avaliação que incorpora 26 indicadores cobrindo demografia, economia, educação e condições sociais.
Perguntas frequentes sobre o declínio populacional na Alemanha
Quando a população alemã começará a diminuir?
Segundo o estudo, a população alemã cairá para cerca de 81,8 milhões até 2045, uma redução de 1,7 milhão em relação aos atuais 83,3 milhões. A queda já está em curso, com mais de dois terços dos distritos perdendo habitantes.
Quais regiões da Alemanha serão mais afetadas?
O leste do país é o mais atingido, com 12 dos 20 distritos de pior avaliação. Municípios como Suhl e Sonneberg podem perder até 30% da população. No oeste, o Sarre também deve encolher, enquanto Frankfurt, Düsseldorf e a Baviera crescem.
Como a Alemanha planeja lidar com a redução da força de trabalho?
O relatório sugere novas formas de prestação de serviços públicos essenciais e soluções regionais. A gestão do declínio, em vez de tentar revertê-lo, é vista como o caminho mais realista pelos pesquisadores.
Photo: Terra