Futebol feminino espanhol ganha apoio inédito para tratamentos de fertilidade
A Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) anunciou um acordo pioneiro com a clínica Tambre para financiar tratamentos de fertilidade para jogadoras e árbitras, abrindo um novo capítulo na conciliação entre carreira desportiva e maternidade no futebol de alto nível.
O acordo, que estará em vigor até 2029, permitirá que as atletas tenham acesso a tratamentos como fertilização in vitro e congelamento de óvulos, com a federação a suportar o custo total deste último procedimento. A medida foi apresentada como uma forma de dar às mulheres no futebol maior liberdade para decidir se e quando querem ser mães, sem que a carreira desportiva seja um obstáculo.
Jogadoras da seleção elogiam a iniciativa
As jogadoras da seleção espanhola Olga Carmona e Patri Guijarro participaram no anúncio e destacaram a importância do acordo para as atletas que precisam equilibrar as exigências do desporto profissional com a vida pessoal.
“Estamos muito felizes com esse acordo, por termos mais uma opção para decidir como e quando escolher ser mãe”, afirmou Carmona.
Guijarro sublinhou que a medida faz parte de um esforço mais amplo para melhorar o equilíbrio entre vida profissional e pessoal das atletas. “Em última análise, é um acordo muito positivo, pois é verdade que, durante todos esses anos, temos lutado para alcançar um melhor equilíbrio entre vida profissional e pessoal para as mães”, declarou.
“No que diz respeito à possibilidade de ter uma carreira ao mesmo tempo em que se é mãe, medidas de equilíbrio entre vida profissional e pessoal estão sendo implementadas; sentimos que fomos ouvidas. É importante que as atletas sintam que não precisam escolher entre suas vidas profissionais e pessoais.”
Quem pode beneficiar do programa de fertilidade?
De acordo com Reyes Bellver Alonso, diretora de futebol feminino da RFEF, a federação arcará com o custo total do tratamento de congelamento de óvulos e oferecerá benefícios relacionados a diferentes tratamentos para todas as jogadoras da seleção que tenham sido convocadas pelo menos duas vezes.
Bellver Alonso afirmou que o futebol fez avanços significativos na proteção dos direitos das jogadoras, dos contratos e das garantias em caso de gravidez, incluindo a eliminação de cláusulas anti-gravidez. “Se há uma área em que se tem trabalhado em prol dos direitos de maternidade, da proteção das mulheres, da proteção dos contratos e do equilíbrio entre vida profissional e pessoal no esporte feminino, essa área é o futebol”, disse.
O debate sobre maternidade e carreira no desporto
O anúncio gerou também controvérsia entre organizações trabalhistas e de igualdade em Espanha. A medalhista olímpica de bronze e saltadora tripla Ana Peleteiro descreveu a medida como “profundamente sexista” nas redes sociais, enquanto o sindicato CCOO alertou que o foco deve permanecer no equilíbrio entre vida profissional e pessoal e na proteção da gravidez durante as competições.
A RFEF, por sua vez, garantiu que o acordo não foi desenhado para desencorajar as jogadoras de terem filhos enquanto estiverem na ativa, mas sim para oferecer outra opção, de modo que a maternidade não seja descartada por causa da carreira desportiva.
Perguntas frequentes sobre o apoio à fertilidade no futebol espanhol
O que inclui o acordo entre a RFEF e a clínica Tambre?
O acordo inclui acesso a tratamentos de fertilidade como fertilização in vitro e congelamento de óvulos, com a federação a suportar o custo total deste último procedimento para as jogadoras elegíveis.
Quem pode beneficiar deste programa?
Podem beneficiar todas as jogadoras da seleção espanhola que tenham sido convocadas pelo menos duas vezes, bem como árbitras abrangidas pelo acordo.
Até quando estará em vigor o programa?
O acordo entre a RFEF e a clínica Tambre estará em vigor até 2029.