Fitsexual: quando o ginásio também entra nos critérios do dating
Treinar quase todos os dias, controlar a alimentação e procurar alguém que leve o fitness tão a sério quanto nós. Há um novo termo a circular nas redes sociais para descrever quem coloca o corpo e o estilo de vida saudável no centro das escolhas amorosas: fitsexual. Mas atenção, não estamos perante uma nova orientação sexual.
Primeiro vieram os run clubs como alternativa às aplicações de encontros. Depois os dates no ginásio, as caminhadas ao domingo e os casais que transformam o treino numa atividade a dois. Agora, a cultura fitness ganhou também um novo rótulo no universo das relações.
Fitsexual é um neologismo que tem vindo a ser usado para descrever pessoas para quem a forma física, os hábitos de treino e todo o lifestyle associado ao fitness pesam bastante na escolha de um parceiro. O termo ganhou visibilidade em 2026, sobretudo nas redes sociais e na imprensa, mas não corresponde a uma orientação sexual reconhecida nem existe, para já, como categoria científica.
Afinal, o que é ser fitsexual?
Gostar de pessoas atléticas não é propriamente uma novidade. O que distingue este fenómeno é a importância atribuída não apenas ao corpo, mas àquilo que ele representa.
Para algumas pessoas, alguém que treina regularmente pode transmitir disciplina, autocontrolo, ambição ou uma determinada forma de viver. A compatibilidade passa então também por questões muito práticas: acordar cedo para correr, passar parte do fim de semana a treinar, cuidar da alimentação ou preferir um date ativo a uma noite de copos.
O problema começa quando a preferência se transforma numa espécie de checklist física e o percentual de gordura, a definição abdominal ou a frequência no ginásio passam a ser condições para alguém sequer ser considerado um potencial parceiro. Especialistas ouvidos sobre esta tendência alertam precisamente para a diferença entre procurar alguém com hábitos semelhantes e reduzir a atração a um determinado ideal corporal.
O GymTok também tem culpa?
É difícil separar esta tendência daquilo que vemos diariamente nas redes sociais.
No Instagram e no TikTok, particularmente no chamado GymTok, corpos musculados aparecem frequentemente associados a disciplina, sucesso, produtividade e controlo. Treinar deixa de ser apenas uma atividade e transforma-se numa identidade completa, que inclui roupa, alimentação, rotina e até círculo social.
E isso acaba inevitavelmente por chegar ao dating. Se o ginásio ocupa uma parte importante da nossa vida, é natural que queiramos alguém que compreenda esse estilo de vida. A questão é perceber onde termina a compatibilidade e começa a obsessão pela aparência.
Match no Tinder ou na passadeira?
Até os primeiros encontros começam a mudar. Um café pode ser substituído por uma corrida, uma caminhada ou uma ida ao ginásio e, para quem vive neste universo, perceber se a outra pessoa acompanha o ritmo pode tornar-se tão importante como descobrir se gosta dos mesmos filmes.
Também não deixa de ser curioso que os próprios ginásios e run clubs estejam a assumir uma dimensão social cada vez maior. Conhecemos pessoas enquanto treinamos, partilhamos objetivos e encontramos imediatamente um tema em comum.
Por isso, talvez o fenómeno fitsexual diga menos sobre uma nova forma de sexualidade e mais sobre a importância que o wellness ganhou nas nossas vidas.
Escolher alguém porque também gosta de correr às sete da manhã? Perfeitamente legítimo. Eliminar alguém porque não tem os abdominais suficientemente definidos? Aí talvez já não estejamos a falar de compatibilidade. Porque uma coisa é querer alguém que acompanhe o nosso estilo de vida. Outra bastante diferente é exigir que o amor venha com personal trainer incluído.