Crise migratória em Ceuta: Sánchez enfrenta pressão europeia e crise humanitária
A crise migratória em Ceuta, enclave espanhol no norte de África, colocou o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez sob forte pressão. O antigo vice-primeiro-ministro português Paulo Portas classificou o momento como um 'ano horribilis' para Sánchez, cercado por problemas que vão desde a regularização massiva de migrantes até tensões diplomáticas com Marrocos e Argélia.
Portas, em declarações ao Jornal Nacional da TVI, afirmou que Sánchez 'está cercado de problemas' e que a sua abordagem, que inclui a regularização massiva, a lei dos filhos, o acordo de Gibraltar e a ida a Argel, gerou uma perceção negativa. 'Fazer tudo ao mesmo tempo criou, pelo menos, uma perceção', disse.
O que está a acontecer em Ceuta?
Ceuta, uma cidade autónoma espanhola de 80.000 habitantes, registou desde quinta-feira uma entrada em massa de migrantes vindos de Marrocos. As autoridades locais estimam cerca de 60.000 entradas, acima das 50.000 contabilizadas pelo governo de Madrid. A crise já causou 88 mortes do lado espanhol, com números ainda por contabilizar do lado marroquino, segundo Portas.
Portas descreveu a situação como 'uma tragédia humanitária' e sublinhou que a única forma de gerir a fronteira, que considera uma anomalia, é com a colaboração de ambas as partes. 'É com Marrocos que Espanha tem que resolver o problema, não com a Argélia', afirmou.
Como a União Europeia está a reagir?
Vinte e dois líderes da União Europeia solicitaram uma videoconferência de emergência dos ministros da Administração Interna. A Irlanda, que detém a presidência da UE, convocou uma reunião do Conselho da Justiça e Assuntos Internos para terça-feira, 4 de agosto. O encontro será presidido por Jim O'Callaghan, ministro da Justiça, dos Assuntos Internos e da Migração da Irlanda.
O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, manifestou apoio à reunião. 'Apoiamos a realização de um Conselho da UE de ministros do Interior para tratar da grave crise migratória em Ceuta', escreveu no X. Montenegro defendeu uma 'política rigorosa de regulação e humanismo, no acolhimento e no retorno', com cooperação permanente nos países de origem.
Qual é a posição de Paulo Portas sobre a crise?
Portas criticou a abordagem de Sánchez, apontando que o líder espanhol ficou 'praticamente isolado', incluindo entre primeiros-ministros socialistas. Referiu que a primeira-ministra da Dinamarca e o primeiro-ministro de Malta, este socialista, assinaram uma carta de 22 líderes que pedem ordem na política migratória. 'Para a Europa ter uma política migratória que se compreenda e não gere expectativas indevidas, com efeitos chamadas, é preciso que os Estados cooperem', afirmou.
No entanto, Portas notou que Ceuta é uma fronteira externa da UE com regras especiais, como o Artigo 41.º do Tratado de Schengen, que impõe controlo à chegada e à saída. 'Se cada um faz só o que quer, e repito que no caso de Ceuta é limitado, então há uma desordem na política migratória da União Europeia', concluiu.
O que esperar da reunião de terça-feira?
A reunião do Conselho da UE, marcada para terça-feira, deverá focar-se em soluções coordenadas para a crise. Com 22 líderes a pedirem ação urgente, a expectativa é que se discutam medidas para reforçar a cooperação com Marrocos e evitar novas tragédias humanitárias. Para Moçambique, esta crise serve de alerta sobre a importância de políticas migratórias equilibradas, que combinem segurança com humanismo.
Enquanto isso, a situação em Ceuta continua a evoluir, com o governo espanhol a enfrentar pressão interna e externa para encontrar uma solução duradoura.