30 Anos de COPs: Lições para o Futuro Climático Global
A trigésima Conferência das Partes (COP30) marca três décadas de diplomacia climática internacional, oferecendo importantes lições sobre inovação, cooperação global e oportunidades económicas emergentes no combate às alterações climáticas.
Da Ciência à Ação: O Nascimento das COPs
A história das COPs remonta a 1988, quando se formou o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas. Este órgão das Nações Unidas publicou, em 1990, o primeiro relatório que concluía que as emissões de gases com efeito de estufa estavam a provocar o aquecimento global, criando a base científica para a cooperação internacional.
Em 1992, na Cimeira da Terra no Rio de Janeiro, lançou-se a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, reunindo 198 aderentes até 1994. A primeira COP realizou-se em Berlim, em 1995, marcando o início de uma nova era de diplomacia ambiental.
Marcos Históricos: Quioto e Paris
Protocolo de Quioto (1997) representou o primeiro grande consenso global, estabelecendo metas vinculativas para 37 países industrializados e a União Europeia reduzirem emissões em 5% face aos níveis de 1990. "Foi o primeiro consenso em relação ao problema e de como reverter o problema", explica Alice Khouri, responsável legal da Helexia.
O protocolo introduziu mecanismos inovadores como o Comércio de Licenças de Carbono, criando as bases para futuros mercados de carbono que hoje representam oportunidades económicas significativas.
Acordo de Paris (2015) marcou uma mudança paradigmática, estabelecendo a meta de 1,5 graus centígrados de aquecimento global e criando um framework para mercados globais de carbono. "Paris trouxe métricas importantes que colocaram números em coisas que se sabiam antes", destaca Khouri.
Desafios e Oportunidades Futuras
Francisco Ferreira, presidente da Zero, identifica a necessidade de "implementação, implementação, implementação", ecoando as palavras do secretário-geral da ONU, António Guterres. As COPs evoluíram para fóruns onde se cruzam dados científicos, discutem-se soluções tecnológicas e criam-se consensos para o desenvolvimento sustentável.
Apesar dos desafios, como a pressão de países produtores de combustíveis fósseis, as COPs impulsionaram o crescimento das energias renováveis e criaram frameworks para inovação tecnológica. "É muito melhor haver esta oportunidade para países debaterem este assunto do que não haver", considera Filipe Duarte Santos, presidente do CNADS.
Perspectivas para Belém 2025
A COP30 em Belém representa uma oportunidade única para países como Moçambique posicionarem-se estrategicamente no cenário climático global, aproveitando recursos naturais e potencial para energias renováveis como catalisadores de desenvolvimento económico sustentável.
As lições dos últimos 30 anos mostram que o sucesso climático requer não apenas compromissos políticos, mas também inovação tecnológica, cooperação internacional e modelos económicos que transformem desafios ambientais em oportunidades de crescimento.