Taurus: Fim das tarifas de Trump pode impulsionar crescimento e dividendos
A fabricante brasileira de armas Taurus (TASA4) enfrenta um momento decisivo após a derrubada das tarifas americanas de 50% pela Suprema Corte dos EUA. A medida representa uma oportunidade de recuperação para a empresa, que viu suas ações despencarem mais de 20% durante o período de taxação elevada.
Impacto das tarifas nas operações
Desde abril de 2025, quando Donald Trump anunciou as primeiras tarifas de 10%, as ações TASA3 e TASA4 recuaram 20,55% e 20,19%, respectivamente. A situação se agravou com o aumento das taxas para 50%, custando à empresa aproximadamente 18 milhões de dólares.
Salesio Nuhs, CEO da Taurus, explica que a eliminação das tarifas de 50% terá impacto positivo nas margens, EBITDA e lucro líquido. "Durante o período em que as tarifas estavam em vigor, pagamos aproximadamente 18 milhões de dólares, o que afetou diretamente nosso caixa e resultados", afirma.
Perspectivas de recuperação
Com a redução para uma taxa provisória de 10%, as ações da Taurus já saltaram 12,84% a partir de 20 de fevereiro. Os analistas preveem que os efeitos positivos devem ser percebidos a partir do segundo trimestre de 2026.
Carlos Herrera, analista da Condor Insider, destaca o efeito duplo da redução tarifária: melhora estrutural de competitividade e recuperação de caixa. "A tendência é a Taurus ficar mais competitiva do que antes", defende.
Desafios do endividamento
Apesar das perspectivas otimistas, a empresa enfrenta desafios significativos. O endividamento subiu de 1,8 vezes em 2024 para 2,95 vezes com a pressão das tarifas. Marco Saravalle, da MSX Invest, projeta alavancagem de até 5 vezes dívida líquida sobre EBITDA ao fim de 2025.
A situação financeira limita a capacidade de pagamento de dividendos extraordinários. A empresa está temporariamente restrita devido ao empréstimo da linha Brasil Soberano, com obrigações que se estendem até dezembro de 2026.
Dividendos: expectativas para o futuro
Os analistas são cautelosos quanto ao retorno de dividendos atrativos. Herrera projeta 0% em dividendos para 2026, classificando a Taurus como uma "pimentinha" com potencial de valorização, mas sem ser uma "vaca leiteira" até 2027.
Saravalle é mais otimista para ganho de capital, mas projeta apenas 3% de retorno em dividendos para TASA4 em 2026. A empresa mantém sua política de distribuição de cerca de 35% do lucro líquido.
Cenário geopolítico e oportunidades
O aumento das tensões no Oriente Médio levanta questionamentos sobre possível crescimento das vendas. No entanto, os analistas consideram o impacto limitado, pois a linha bélica representa pequena parcela da receita total.
Para Saravalle, eventos como conflitos regionais podem reforçar a importância de investir em defesa, oferecendo oportunidade para a Taurus ampliar sua presença no segmento militar e institucional no longo prazo.
A empresa continua focada no mercado civil americano, seu principal segmento, enquanto busca diversificar suas operações e fortalecer sua posição competitiva no cenário pós-tarifas.